Na opinião de Ana Isabel Santos*

>> segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Volatilidade Eleitoral

A Volatilidade Eleitoral é um dos temas mais abordados pela Ciência Política na actualidade. Volatilidade Eleitoral (segundo o índice de Pedersen), pretende expressar a mudança líquida dos diversos partidos de uma eleição para outra. Ou seja, pretende apresentar em números reais as transferências de votos ocorridas entre os partidos nas várias eleições. Existem três formas para calcular esta Volatilidade Eleitoral. A mais simples consiste na soma dos ganhos de todos os partidos! Vejamos um exemplo prático de duas eleições com um total de 100 votantes e três partidos:




Através de uma análise deste quadro verificamos que o Partido A perdeu 30 votos, o Partido B ganhou 20 votos e o Partido C ganhou 10 votos. Ora verificamos que apenas o Partido B e o Partido C obtiveram ganhos. Vamos então somar os ganhos: Ganhos Partido B + Ganhos do Partido C = Volatilidade Eleitoral (20+10=30). Verificamos que neste caso existiu um Índice Volatilidade eleitoral de 30 votos.

Analisemos agora a evolução da Volatilidade Eleitoral e as suas causas.
Desde os anos 60 até à actualidade, o Índice de Volatilidade tem sido crescente. E são vários os factores apontados para este crescimento. O professor Russell J. Dalton fala-nos sobre um desalinhamento partidário. De certa forma as pessoas já não se identificam com os partidos como o faziam no passado. Mas, também podemos acrescentar a questão da fragmentação partidária. Actualmente existem muito mais partidos que aqueles que existiam no passado o que, também agrava a Volatilidade Eleitoral.

Outros dois factores que devem ser tidos em consideração são as questões sociais e ainda as vias de informação. No caso da primeira, as pessoas já não são tão influenciadas pela família, amigos e ou religião como antigamente. E com o aumento das vias de informação, as pessoas encontram-se mais informadas e conseguem fazer as suas próprias escolhas.

Em suma, verificamos que actualmente, é muito mais simples e fácil, as pessoas efectuarem mudanças nas suas preferências eleitorais. O que essencialmente se deve a uma sociedade mais informada e com mais opções. O mesmo indivíduo pode decidir votar sempre no mesmo partido, pode decidir votar noutro partido ou até mesmo nem votar.

* Estudante de Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade Católica Portuguesa.

7 comentários:

filipa 16 de fevereiro de 2010 às 18:40  

Olá..
Concordo com o professor Russell J. Dalton quando fala no "desalinhamento partidário". Concordo porque não voto em função do partido, mas sim no conjunto de sujeitos que no momento estão a representar esse mesmo partido no acto das eleições. Ou seja, não me interessa se são do partido A, B ou C, interessa-me sim votar no partido que julgo no momento apresentar as melhores condições para representar e governar o país, o concelho ou a freguesia.
Neste sentido, se no ano de 2009 votei no Partido A por achar ter as melhores condições, não significa que no proximo ano eleitoral vote no mesmo partido, pois a minha decisão provavelmente irá mudar (ou não).

Tiago Mendonça 16 de fevereiro de 2010 às 21:37  

Cara Filipa,

Obrigado pelo teu primeiro comentário. Volta sempre. A Gerência agradece :)

Ana Isabel 16 de fevereiro de 2010 às 22:09  

Olá Filipa muito obrigada pelo teu comentário a este meu texto. E de facto representas um bom exemplo deste "desalinhamento partidário".

E mais uma vez Tiago, obrigada por este convite para escrever para o teu blogue! :D

Ana Suwa 17 de fevereiro de 2010 às 13:05  

Cara Ana Isabel,

Obrigada pela explicação simples e objectiva sobre o conceito de volatilidade eleitoral. Não admira que essa volatilidade tenda a ser crescente no nosso país. Apesar das ligações partidárias ainda serem um estímulo para o envolvimento do público em campanhas e eleições, nota-se que existe um declínio do partidarismo, associado às crises políticas do momento. Penso que hoje em dia, de eleição para eleição, a opção eleitoral tem-se tornado cada vez mais desligada das habituais lealdades partidárias. O que, a meu ver, não tem de ser necessariamente mau.

Ana Isabel 18 de fevereiro de 2010 às 15:14  

Cara Ana...
concordo que a opção eleitoral se tem afastado (e muito) da lealdade partidária (e não digo que isso seja mau).

O que é importante compreender é que hoje em dia o eleitor vota por o(a) candidato(a) ser determinada pessoa e não por ser o partido A ou B! O que importa ao eleitor é o(a) CANDIDATO(A)!
Não quero com isto dizer que os partidos não são importantes. Os partidos continuam a desempenhar um papel importante... a questão é que o eleitor deixou de pensar apenas em função do partido!

Tiago Mendonça 18 de fevereiro de 2010 às 16:39  

Ana,

Parece-me que o partido é importante para os eleitores militantes ou acérrimos defensores. Eu votaria sempre PSD, independentemente do candidato, acho que é um dever que a militância nos impõe e que gosto de cumprir. Embora, umas vezes "não durma na noite antes" para ir dar o meu contributo, e outras vezes apareça ao fim da tarde para votar.

Dito isto, acho que o PCP é o unico Partido em Portugal com um global de votos garantido. Dificilmente, na próxima década, poderá descer abaixo dos 7%. O PCP, mais que um partido, é um clube. Até porque racionalmente não há nenhuma explicação para votar nos vermelhos. Já desportivamente, ser dos vermelhos é uma grande virtude :)

O PSD, o PS e o CDS-PP disputam um enorme bolo de votos oscilantes. Aí, concordo, interessa muito o candidato. Sem dúvida. E nas Autárquicas ainda mais. Palavra para o BE, que excluí da análise, por não ser um partido, mas antes um movimento condenado ao desaparecimento logo que todos se apercebam da demagogia gritante dos seus dirigentes.

Ana Isabel 18 de fevereiro de 2010 às 17:17  

Tiago...

É verdade que quanto ao PCP " é um clube" e vai ser dificil perderem!

Quanto a PSD, PS e CDS-PP sim é um grande exemplo desta volatilidade e claramente as últimas AUTÁRQUICAS foram exemplo desta situação de "o candidato importa"! No caso do BE prefiro abster-me de comentários.

Uma última palavrinha relativamente ao facto de "ser dos vermelhos é uma grande virtude :)"! Eu diria que não poderia estar mais de acordo contigo!