Uma reorganização no sistema partidário português. Alegre para a Direita.

>> sábado, 10 de janeiro de 2009

Aqui há dias escrevi isto no Inconcreto:

A Direita em Portugal, está há muito tempo definida. O PSD ocupa o centro-direita, com derivações ora à esquerda para cativar o eleitorado do centrão, ora à direita para esvaziar o CDS/PP. O CDS/PP por seu turno, ficou refém de um líder e de uma estratégia politica, que no passado deram resultados positivos e conduziram este partido ao Governo, em coligação, do nosso país. Impõe-se no entanto, a necessidade de gizar novas bandeiras. Novas causas, que permitam ao CDS crescer até 7 ou 8% dos votos, em minha opinião, o máximo que poderá alcançar na actual conjuntura. A Direita está arrumada. Só um novo partido de Pedro Santana Lopes poderia alterar este quadro, dado o capital político e o mediatismo reconhecidos ao ex primeiro-ministro. Esse cenário está posto de lado. Por todas as razões e mais alguma.

Já na Esquerda, o quadro político é desenhado com linhas bem mais ténues. A criação de um Bloco de Esquerda, que congregou pequenos partidos de esquerda, liderado pelo acutilante e eloquente Francisco Louçã, veio dividir o espaço político à esquerda do PS, com o PCP. Mas se assim fosse, o PCP tinha no máximo 10%, a dividir por dois, daria 5% a cada partido. Não foi isso que se passou. Hoje estes dois partidos valem cerca de 20% dos votos. E porquê? Por dois grandes motivos. O primeiro relacionado com a implementação junto dos jovens do Bloco de Esquerda, eleitorado que normalmente preferia a abstenção ao voto noutro partido. Nota de culpa para inércia das Jotas (JSD e JS) incapazes de marcar uma agenda de causas irreverente e jovem que cative o voto jovem. O segundo motivo, com a estratégia de Sócrates.

Sócrates percebeu que para ganhar, e ganhar com maioria absoluta, teria que virar à direita e esvaziar o PSD e até o CDS. Foi o que fez. Mas não sendo um PS uma “toalha infinita” para tapar o lado direito, deixou a descoberto o lado esquerdo. Por isso, a esquerda tem vindo a subir tanto. Mas fez mais. Subestimou Alegre e errou, hoje é claro, na escolha presidencial. Mais espaço à esquerda. Alegre vale hoje muito. Tem capital de votos próprio e capitaliza ainda os renovadores do PCP, a ala mais à esquerda do eleitorado PS, descontente com as politicas ditas de direita de Sócrates e combina bem com o eleitorado bloquista. Para além disso, a ideia de independência associada a Alegre e a Roseta, por exemplo, cai bem junto dos portugueses. Julgo que há espaço para um novo partido. Que por ventura congregue o Bloco de Esquerda. Enfim, poderemos ter a esquerda radical a chegar perto dos 27% a 28%. Rouba votos a quem? Ao Partido Socialista.

E assim, o Partido Socialista deixa de ter a garantidíssima maioria em 2009, relativa ou absoluta, para ter a própria vitória em perigo. O PSD, apesar de todas as peripécias porque passou em 2008, as sucessivas trocas de líderes, e este estilo mais apagado de Ferreira Leite, pode chegar ao poder. Um cenário alegre para o PSD. Sem dúvida. E Ferreira Leite que já provou ter apetência para o terço.

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