Playboy

>> segunda-feira, 13 de abril de 2009

Já li e gostei.

Mas julgo que é indicada já para uma faixa etária superior à faixa a que a FHM e a própria Maxmen tentam chegar.

Mais adulta, mais para adultos. Excelentes reportagens, uma sobre a crise, outra sobre África. A entrevista ao Pacman está razoável e a do Costinha está muito boa.

Mónica, fantástica.
Playmate, muitissimo bem também.

Passarei a adquirir :)

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Macroeconomia

Segundo dados do INE, a inflação homóloga foi negativa, algo que não se verificava nos últimos 40 anos, em Portugal. Isto é, os preços dos produtos ao invés de aumentarem, diminuíram.

Uma raciocínio básico que se aprende em Macroeconomia é que é impossível ter taxas de desemprego baixas e taxas de inflação baixas, ou seja, ainda que não sejam representadas por um gráfico sinalagmático, isto é, à medida que à taxa de inflação sobe a taxa de desemprego desce, as duas taxas relacionam-se e, em principio, encontram-se em contra ciclo.

Isto acontece porque existindo muito desemprego, as pessoas aceitam, mais facilmente, qualquer trabalho, isto é, aceitam receber menos pelo trabalho prestado, o que faz com que, as empresas tenham menos custos de produção e isso reflecte-se nos preços travando a inflação.

Já no caso de existir pouco desemprego, as pessoas fazem mais exigências, pedem mais dinheiro para pagar o serviço prestado, o que faz aumentar os custos e paralelamente os preços finais, conduzindo ao aumento generalizados dos preços, portanto, a uma situação e inflação.

Temos uma deflação. E muito desemprego. Tudo normal portanto.

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Para ti, por Pedro Mendonça

- O post que se segue é um texto da autoria de Pedro Mendonça. Ele pediu-me para que publicasse e assim será feito. Um texto sobre mim e para mim. O blogue toca aqui o seu grau máximo na intimidade autor-leitor. Com os olhos molhados transcrevo a carta que me enviou -

Para ti...

Não te quero triste. Habituei-me a ver-te sorrir. A seres a força em pessoa. Um ser carinhoso, doce, bonito e com uma força invulgar. Tenho orgulho em ti. Pela pessoa que foste, és e serás. Tenho orgulho em ver-te crescer e amadurecer. Tenho orgulho nas muitas coisas boas que já fizeste. Tenho orgulho das más que reconheceste serem más. Sorrio quando te vejo sorrir. Sorrio quando te oiço falar. Preocupo-me quando te vejo chorar. Fico em lágrimas quando sei que está a sofrer. Fico com raiva quando te fazem sofrer. Fico furioso porque não mereces. Tens defeitos? Muitos! Qualidades? Imensas.
Poderia ocupar-te este espaço a dizer tudo o que tens de bom. E até o que tens de mau. Não é preciso. Quem te conhece sabe o que é. Quem é “teu” sabe como és. Quero apenas dizer que tenho um orgulho enorme por te conhecer. Um orgulho ainda maior por fazer parte da tua vida. Um orgulho (não encontro a palavra certa para o descrever) de dizer que és MEU IRMÃO.

Se me permites o conselho... NÃO MUDES NUNCA, CONTINUA GENUÍNO E DOCE.

Já com as lágrimas nos olhos te digo...

AMO-TE MEU IRMÃO

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Traição

Qual é a grande diferença entre uma pessoa mentir ou uma pessoa trair?

Partindo desta pergunta, facilmente chegamos a um conjunto de conclusões. Uma mentira, é banal. Exemplificando: Se alguém, por exemplo, um qualquer dirigente de uma juventude partidária promete determinada situação e depois mente de forma escabrosa, é uma mentira. Algo que nos faz ficar com uma péssima opinião sobre a pessoa. Nos faz não mais confiar e, em limite, nos faz ficar mais cautelosos num conjunto de situações. Mas não é uma traição.

Trair implica que a pessoa que o faz assuma um lugar e uma preponderância na nossa vida brutal. Significa mentir e fazer perder a confiança, claro. Mas é mais do que isso. É a falência de um modelo de vida. Poucas pessoas nos podem trair. Apenas aquelas que mais amamos. Aquelas que mais gostamos e em que mais nos revemos, aquelas que ocupam um papel mais importante na nossa vida. Apenas essas nos podem magoar de forma tão dolorosa que parece que não aguentamos mais. Apenas essas têm o poder de nos trair. De matar parte de nós.




Em época pascal, o renascimento está em voga. E é importante transmitir uma mensagem de esperança: Também parte da pessoa que é traída morre. Mas, creio, não é uma morte absoluta. Existe ainda margem para renascer. Poderá não ser em 3 dias ou em 3 semanas. Tão pouco em 3 meses ou 3 anos. Mas o renascimento chega. E acredito piamente, que as pessoas ficam ainda mais fortes.

Fica-se na lama. Atropelado por um camião ou espancado por 10 pessoas. Parece que o sofrimento é tanto que não se resiste. Mas creio que quando se renasce atinge-se um grau muito superior de força. E é essa força que tem que fazer com que não culpemos os outros pela falta de escrúpulos de alguém. Não podemos desconfiar de tudo e de todos. Não podemos colocar em causa todas as amizades, todas as relações. Não podemos pensar que daqui para a frente seremos sempre traídos.

Uma traição não implica uma mentira. Pode implicar 10 ou 12 mentiras. Pode implicar o conhecimento dessa acção, aos bocadinhos, em fracções de tempo, mais ou menos dilatadas. E não se pense que é o acto em si. O problema, aliás, o problema maior não será ver a “mulher na cama com outro”. O problema maior é que se alguém se tornou tão importante para nós que se tornou nossa mulher e depois é capaz de nos desiludir de forma tão gritante, significa o desabar de um exemplo. A falência do tal modelo de vida.



Rapidamente o ódio deve dar lugar à compaixão. Esquecer nunca, perdoar imediatamente. Quem somos nós para julgar os outros? O caminho é perdoar. Quando esse luto é feito, e conseguimos perdoar, rapidamente passa a ser indiferente. A pessoa que o faz passa a ser mais um ser vivo, como qualquer outro, que merece o nosso respeito enquanto tal.

E se é muito mais difícil quando a “coisa” assume contornos escabroso a roçar o pornográfico, no sentido de custar muito mais, também é mais fácil de não relevar. Há realidades a que apenas se pode atribuir problemas mentais graves. Um total desvio dos quadros mentais mínimos para a vivência em sociedade. A racionalidade que é característica inerente e que nos distingue dos outros animais já não existe.



Nestes casos o que fica é um enorme sentimento de pena. É o traidor ou a traidora que se estraga. Que terá dificuldades em viver com isso o resto dos seus dias. Que não mais poderá ser apontado como um exemplo. Como um amigo exemplar, uma namorada exemplar. É talvez essa pessoa que perca uma segunda família, ou um grupo de amigos comuns. Às vezes até projectos importantes, vão à vida. Uma vida fantástica, em poucos minutos, ainda que com muito prazer, dão lugar a um vazio enorme.

O traído, fica mais cauteloso, desconfiado. Talvez. Vive horas e dias de enorme angustia, revolta, indignação. Não a indignação que provêm da comparação absurda de características, físicas, por exemplo. Mas a indignação consigo próprio por ter confiado tão cegamente, tão apaixonadamente, em determinada pessoa.

Uma palavra para o traidor: deve continuar a sua vida, errar cada vez menos, tornar-se uma pessoa melhor. Uma pessoa que menos vezes cometa esses erros. Mesmo nos casos de “one chance, one shoot”, ou, “two chances, two shoots” a pessoa deve tentar melhorar. Talvez precise de ajuda ou acompanhamento. É muito mais grave ter uma oportunidade de pecar e pecar, do que ter 50 e pecar 10. Ai reside uma grande diferença.

Por ultimo, volto ao que disse há uns dias. É preciso ao longo dos anos, construir uma vida sólida alicerçada no que realmente importa. Deus, Família, Amigos. Se assim for, mais facilmente se supera esses momentos de enorme desilusão, que como alguém me dizia, são momentos que infelizmente acontecem mais vezes do que o deveria acontecer.

Como todos os textos que aqui faço são textos de índole abstracta. Falo de problemas que reflecti. Não necessariamente experienciados por mim. Contudo, reflicto mais vezes, naquilo que me rodeia. Vou andar um post’s para trás e lembrar-me do que disse sobre aquelas pessoas que enunciei no post amigos. E outras que não enunciei.

E para alguém que esteja a ler este post, o post Amigos não sofre qualquer adenda. As pessoas deixam a sua marca. E uma camisola é sempre bonita, mesmo quando, estupidamente, se decide tingi-la.

Tenho pena. Uma pena enorme. Mais isso que outra coisa.

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Dia B, por Bruno Antunes

>> domingo, 12 de abril de 2009

O perigo de um terramoto.

Faz por estes dias uma semana que se deu o terramoto em Itália que lançou o terror sobre cidades como Áquila na região de Abruzos. Este desastre natural vitimou 293 almas. 1 vida já seria péssimo, 293 é catastrófico até porque não estamos habituados a desastres desta magnitude em solo europeu, seja porque eles raramente se dão por cá, seja porque estamos (europeus) relativamente bem preparados para os enfrentar.
Partindo deste desastre, o jornal Expresso noticiou um estudo do LNEC, mais precisamente uma simulação do LNECloss, em que se dava a resposta à pergunta “E se o sismo italiano se tivesse passado em Lisboa?”.

Ao que parece, e de acordo com esta simulação, se o sismo da semana passada tivesse ocorrido em Lisboa , perderiam a vida 1160 pessoas, ficariam desalojados 168467 seres humanos, 3598 edifícios destruídos e 11680 gravemente danificados. Pior, se em vez de ser um sismo com a magnitude do da semana passada, fosse o de 1755 a ocorrer agora. Nesse caso haveria 27779 mortos (com o devido respeito, seria mais ou menos a lotação do Estádio do U. Leiria) e 26253 edifícios destruídos.

Ora bem, como se pode ver, este seria um cenário terrível, que deixaria Portugal de rastos. Esta situação só pode significar uma coisa, é que Portugal não está muito bem preparado para uma eventualidade destas. Responder-me-ão “Nunca se está preparado, é imprevisível”. Bem, pelos vistos não será assim tão imprevisível pois em Itália houve quem avisasse que isto iria suceder e acabou por ser processado por causar o pânico às populações. Suponho que entretanto, o processo em causa tenha deixado de fazer sentido.

De qualquer modo e regressando a Portugal, reflectamos sobre o seguinte. É certo que muitos dos edifícios da Grande Lisboa não aguentam com um terramoto forte, então quais são as medidas a tomar para que se evite o maior número de vitimas? Leis que obrigam a construção de prédios “anti-sísmicos” já existem, porém muitos outros prédios vulneráveis ja foram contruídos sem uma lei que impusesse a protecção. Ora, o que deve um governo fazer? Imagine-se que de repente desatava a mandar prédios abaixo para construir novos já com as devidas alterações anti-sismicas, o que não se diria sobre o herário público? Já se houvesse um terramoto que vitimasse perto de 30000 pessoas, o que não se diria sobre o que podia o Governo ter feito? No fundo são questões que vos deixo para reflexão, visto que podem estar na balança, vidas num prato (ainda que sem certezas de que se perderiam) e dinheiro noutro (em tempos de crise), sem esquecer que com a saúde não se brinca. Obrigado.

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Futeboladas

O Benfica voltou a ser assaltado, nesta ultima jornada. Para além de uma arbitragem habilidosa, pautada por uma dualidade de critérios gritante, com faltas e faltinhas mal assinaladas e outras bem assinaladas de mais, ficam pelo menos três casos, unanimenente salientados: Anulado golo claro a Aimar, que em limite configuraria penalty favorável ao Benfica. Assinalada falta atacante. Aimar isolado, em jogo vários metros, assinalado fora-de-jogo, que quase certamente daria em golo. Penalty sobre David Luiz, escandaloso, não assinalado, também.

O Benfica dominou. Duas Dezenas e meia de Remates contra meia dezena. Mais de 60% de posse da bola. Um bom jogo da turma encarnada, mais uma vez assaltada pelos senhores do apito. E alguns adeptos, estúpidos, mostram lenços e lençóis. Que mais poderia ter sido feito?

Mais uma vez, o Benfica, com a postura do costume. Sem fazer novelas mexicanas, folclores transmontanos, estampas de jornais, ameaças, demissões, e sem os milhares e milhares de caracteres escritos à volta do assunto. O campeonato fica arrumado. E nem por isso, se fez a gritaria, de há semanas atrás. Em que, o clube que armou a “peixeirada” reclama um único lance, nem sequer olhando, para o global do jogo, onde certos Ninjas se esqueceram que aquilo não era artes marciais mas apenas um jogo de futebol. Enfim.

O Benfica, foi assaltado, em três jogos. De forma mais gritante, em três jogos.

• Nacional da Madeira, golo aos 93 minutos, mal anulado. Véspera de grande paragem do campeonato. Caso abafado, Benfica, não se isola no comando da Liga.

• Porto. Jogo do titulo. Em caso de Vitória Benfica ficava em primeiro, ficava à frente no confronto directo com Porto e alavancava, de certo, para o resto do campeonato, com uma força anímica diferente. Assim, Porto em primeiro.

• Académica, ultima hipótese para o Benfica lutar pelo titulo, ou até, pelo segundo lugar. Mais uma vez beneficiado de forma escandalosa.

Três momentos cruciais. Três vezes, postura exemplar do meu clube.

E sinceramente, a arbitragem simpática do jogo com a Amadora (chamo simpático a um penalty mal assinalado, embora tenham ficado duas expulsões por exibir ao Amadora, que ficaria reduzido a 9 antes dos 30 minutos, ou seja, chamo arbitragem simpática quando o Benfica é assaltado, mas pouco) parece-me sinceramente ser um atenuante para isto com a Académica não ser relevado como deveria.

O Porto tem então os últimos jogos, apenas para cumprir calendário. E portanto, pode concentrar-se na Champions.

Sobre isto, tenho um feeling que o Manchester vai eliminar o Porto, embora, prefira que o Porto ganhe. Primeiro o país.

Quando ao Sporting, recebi uma mensagem de uma adepta desse clube, esclarecedora: Quem tem Liedson, tem tudo.

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Páscoa, por Nélson Faria

A Páscoa é uma grande alegria e uma grande festa. Tão grande, tão grande, que nos esquecemos muitas vezes do seu significado. É um momento de Glória e de Gozo. E devemos, para viver bem a Páscoa, estar em sintonia com ela, sentir que hoje, com Cristo, vencemos a própria Morte, que não há barreiras intransponíveis para o que é bom. Invencibilidade em Cristo, apoio e força em Cristo, exemplo a seguir em Cristo, para que sejamos plenos e gloriosos.

A Quaresma ensina-nos a ver sinais de esperança e ressurreição nos momentos mais lúgubres e nos cantos mais inesperados. Essa é a mais valia da experiência da Páscoa: no meio dos meus medos, no meio das minhas perplexidades, em momentos de desorientação e de olhos no chão, encontro sinais de esperança e ressurreição. É preciso conhecê-los para os reconhecer.

A Páscoa revela-nos um Deus diferente, que lança luz sobre o passado que sustenta o nosso sonho. Esta experiência de segurança, de garante, de certeza, de confiança, tem de ser transversal a tudo na nossa vida, não como uma coisa mais, mas como sustento da nossa fé e razão de existir. Na Páscoa encontramos a força para que a nossa experiência de ressurreição seja um desvario para os outros. Que assim seja.

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Com dedicatória.

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Sócrates devia-se demitir?** (não é minha a autoria)

>> sábado, 11 de abril de 2009

Perguntaram-me há poucos dias se, na minha opinião, José Sócrates se deveria demitir. Por mais estranho que pareça, não soube imediatamente responder – o que já de si é significativo –, pelo que resolvi dedicar-me um pouco a pensar nisto.
É preciso alertar que a questão não é se Cavaco Silva deveria ou não demitir José Sócrates, o que, face ao exemplo estabelecido por Jorge Sampaio relativamente a Santana Lopes, obrigaria o actual Presidente da República a destituir o nosso actual primeiro-ministro, não uma, mas uma centena de vezes. A questão é saber se José Sócrates, de moto próprio, deveria ou não demitir-se, em vista dos inúmeros casos alegadamente irregulares, ilegais e/ ou criminais em que, justa ou injustamente, se encontra hoje publicamente envolvido.
Esclareçamos, em primeiro lugar, que a questão não deve colocar-se de um ponto de vista ético. Com efeito, quando o senhor primeiro-ministro mente descaradamente na Assembleia da República, onde supostamente somos representados (como, por exemplo, naquele caso do relatório que dizia e insistia ser da OCDE), não se pode esperar, consequentemente, que se demita por razões morais.
A questão, do mesmo modo, não pode colocar-se de um ponto de vista estético (isto é, no âmbito de uma certa concepção de beleza que deveria envolver e sublimar os actos públicos), pois que quem desgraçadamente tenha visto as casas projectadas e/ou assinadas pelo Eng. Sócrates, imediatamente saberá que ele nunca se demitirá por quaisquer motivos que incluam a mais vaga noção da pulcritude.
A questão, assim, só poderá pôr-se de um ponto de vista, por assim dizer, legal, isto é, à luz de uma certa jurisprudência estabelecida por anteriores demissões de outros primeiros-ministros. Neste sentido, vejamos:

1. Mesmo que considerássemos, em sentido muito lato, o triste acidente de Sá Carneiro como uma certa forma de demissão, tal não nos parece ter qualquer aplicação ao caso de Sócrates, que, pese embora ter fumado num avião logo após ter aprovado a lei que o proibia, prontamente reconheceu o erro e prometeu deixar de fumar, sem que por isso tenha pago qualquer multa. Julgo, no entanto, que a medida deveria ser extensiva, por exemplo, aos condutores embriagados, que, no caso de, visivelmente contritos, convincentemente prometerem largar definitivamente a bebida, deveriam seguir em paz o seu caminho.
2. O caso da demissão de Guterres, porém, pode afigurar-se bem diferente, pois que a razão da sua demissão foi o facto do país se ter tornado num pântano, ecossistema que reconhecidamente se mantém. No entanto, como há uns posts atrás já disse, esta é uma decisão discricionária, que de modo nenhum obriga o actual primeiro-ministro. Ao contrário de Guterres, aliás, Sócrates é o nosso querido Shrek: um ogre divertido e resmungão, que gostando francamente do seu pântano, de lá de nenhum modo quer sair.
3. Temos, por fim, o caso de Durão Barroso, mas aqui não vislumbramos nenhuma solução possível, já que, em vista das dúvidas ultimamente suscitadas em torno das habilitações académicas do senhor primeiro-ministro, cremos que ele, para já, terá alguma dificuldade em conseguir arranjar lá fora um empregozito melhor.

Por aqui, portanto, não nos safamos. Tentaremos, no entanto, por uma certa analogia, analisar ainda o caso à luz da demissão de alguns ministros, ainda que sem esperança de melhor sorte. Vejamos:

1. O ministro Jorge Coelho, na altura em que altruisticamente se demitiu, prejudicando, como é público e notório, a sua vida pessoal e profissional, fê-lo por ter caído a ponte de Entre-os-Rios. Ora, Sócrates quer fazer exactamente o contrário, isto é, construir pelo menos uma ponte (entre outras coisas baratuchas que mais tarde pagaremos para assim enfrentarmos esta crise), pelo que este caso, obviamente, não se lhe aplica.
2. Temos também o caso de Isaltino Morais, que por causa de uma conta que malfadadamente mantinha na Suíça com um sobrinho se demitiu das suas ministeriais funções. Aqui, na verdade, o caso fia mais fino, já que o envolvimento da família de Sócrates nesta teia de negócios mal explicada vai já a um ponto de permitir inscrevê-lo directamente na Associação Portuguesa das Famílias Numerosas. Há aqui uma nuance, no entanto, que importa cuidadosamente analisar. É que Isaltino se demitiu por causa de um negócio que envolvia um sobrinho. No caso de Sócrates, porém, fala-se, é verdade, da mãe, do tio, do primo, até mesmo de um senhor que não lhe é nada, pertencendo antes à conhecida estirpe dos Smiths de Alcochete… mas não há, de facto, nenhum sobrinho, pelo que é, no mínimo, discutível, que este caso, assim, se lhe aplique.
3. A este propósito, aliás, poderia também lembrar-se a demissão de Leonor Beleza, mas o caso, lá está, passou-se com um irmão, pelo que obviamente não se aplica ao nosso Sócrates.
4. O caso mais estranho é o de António Vitorino, que verdadeiramente nunca ninguém percebeu porque é se demitiu, pelo que tanto serve para defender uma coisa como a outra. O facto, porém, é que o mesmo é hoje da opinião que Sócrates não se deve demitir, o que, embora não se percebendo, torna difícil a fundamentação contrária.
5. Há ainda, ultimamente, o caso de Freitas do Amaral, que abandonou o cargo de ministro por já não aguentar as dores nas costas. Ao que sabemos, porém – e de acordo, aliás, com o próprio –, Santos Silva só gosta de malhar nas pessoas da direita, pelo que também aqui o caso dificilmente se estenderá aos costados do nosso primeiro.

Continuamos, portanto, sem resposta. Temos de atrever-nos, por isso, a ir mais longe, a esses recantos autárquicos onde o povo, conhecedor do carácter de quem o governa, sabe bem escolher para além dos desenganos da justiça. Talvez aqui se possa achar a solução.

1. À cabeça temos Fátima Felgueiras, cuja ligação à América latina e o alegado saco azul que, dizem, serviria para financiar clubes locais, poderia à partida indicar algumas semelhanças com o nosso Sócrates e com toda esta estranha história do Freeport. Mas o facto é que a senhora Dona Fátima foi para o Brasil, de onde voltou com a beleza de outros tempos, enquanto Sócrates preferiu a Venezuela, de onde não se vê que tenha vindo remoçado. Quanto ao resto (em que, francamente, aliás, não acredito), o facto, que é relevante, é que nos vídeos em que nos dizem estar a falar o senhor Smith (os quais, tirando o facto de falarem em inglês, poderiam bem ser os das reportagens da Casa Pia), nunca se ouviu falar em sacos, mas sim em envelopes, os quais passando, segundo dizem, sempre por debaixo de uma mesa, ninguém pode afirmar com toda a certeza que eram azuis. Também este caso, portanto, não nos ajuda.
2. Há ainda Valentim Loureiro, que até na Liga se patenteia Major, mas, na verdade, ele nunca se demitiu, sendo que o que distribuía, na campanha, eram frigoríficos, pelo que só por manifesta má-fé se poderia querer comparar este caso com o de José Sócrates, que só com reconhecido direito se auto-intitula engenheiro e que aquilo que distribui na campanha são os fantásticos, os fabulosos, os inquebráveis, os domésticos e bonitos computadores Magalhães.
3. Resta-nos, portanto, uma última hipótese, que é a de Avelino Ferreira Torres. Ora, este senhor, com obra manifestamente feita, com uma capacidade de comunicação eficaz e apropriada aos seus eleitores, e recentemente absolvido de todos os crimes de que foi tão longa e injustamente acusado, em tudo me parece assemelhar-se ao nosso pobre primeiro-ministro. A solução, portanto, talvez aqui se encontre. Não porque Sócrates se demita, como o Sr. Torres também não se demitiu. Mas porque tendo Sócrates transformado a nossa vida política num contínuo e indescritível Big Brother, com o qual todos nós, todos os dias, somos inevitavelmente confrontados, talvez possamos, numa destas semanas que lá mais para a frente se avizinham, expulsá-lo da casa que agora ocupa, tal como ao dito Avelino parece que da da TVI também expulsaram.

Pedindo sinceramente desculpa a quem com alguma atenção me leu até aqui, a conclusão é a seguinte:

1. Sim, é óbvio que ele se deve demitir.
2. Não, é certo que ele não se demitirá.
3. Temos, por isso, que telefonar todos para aqueles números que passsam em baixo do ecrã e, o mais depressa possível, mandá-lo embora.

** Post retirado do Geração de 60, escrito por Gonçalo Pistacchini Moita.

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Outros Blogues V

Um destaque para "Os Dias Uteis" de Pedro Ribeiro, locutor da Rádio Comercial.

Um blogue pessoal, intimista. Daqueles onde se fica a conhecer melhor a pessoa. Bem ao meu gosto. Bem ao meu estilo.

Aprecio muito.

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