Economia em versão de Simplex e nota sobre aumento de impostos.

>> quinta-feira, 13 de maio de 2010

Antes mesmo de regressar em definitivo à escrita, cumpre fazer um breve comentário sobre o pacote de medidas de índole financeira agora apresentadas pelo executivo liderado por José Sócrates:

 Vivendo um momento muito difícil, por causa da crise financeira de 2008-2009, comparável apenas com a que desembocou no Crash bolsista ainda na primeira metade do século passado, compreende-se que o Governo tenha que tomar medidas excepcionais, no que à tributação diz respeito. No entanto, lastima-se, que nos últimos anos, se insista no erro de se considerar que o equilíbrio financeiro é um fim em si mesmo. Não é. O equilíbrio das contas públicas é um meio para atingir a finalidade do crescimento económico, pelo que de nada adianta termos um deficit público baixo, se não crescermos. Para que todos percebam, o deficit orçamental ocorre quando as despesas efectivas são superiores às receitas efectivas, sendo necessário, por isso, que o Estado recorra a créditos, ou seja contraia divida pública para fazer face à diferença entre o que recebe e o que gasta. Contudo, no período orçamental subsequente não só terá que ser amortizado esse mesmo valor como terão que ser pagos juros sobre a divida publica contraida, onerando as gerações futuras. É portanto um problema muito importante que deve ser resolvido, mas que só se resolve pensando no crescimento económico. Por hipótese, imaginando que um aumento de IVA proporcionaria um aumento de receita proporcional, seria possível ter deficit zero ou até mesmo superavit. Simplesmente, para além disso não ocorrer (como compra a curva de Laffer) a consequência de uma medida desse género seria acabar com o poder de compra das pessoas, gerando problemas sociais graves.

 Explicando melhor o que disse sobre a curva de Laffer, um aumento de imposto, por exemplo o IVA, apenas faz aumentar a receita fiscal até certo ponto. Se um produto é transaccionado por 10, mas o comprador estava disposto a pagar 12 e o vendedor disposto a vender por 8, gera-se um excedente do produtor e do consumidor de 2 para cada um. O Estado poderá aplicar um imposto igual ou inferior a 4, que será repercutido por ambos (ou só por um) e o produto será transaccionado. Mas se o Estado aplicar um imposto de 5, não há forma de repercutir esse imposto, não se gerando essa transacção. E como não há troca, o estado não tributa nada. Nem 5, nem 4. Tributa zero. Pior, o comprador deixou de adquirir o produto que lhe fazia falta, gerando-se problemas de pobreza. Do outro lado, o vendedor também não vendeu. Se não vender produtos, a empresa não tem lucro. Se não tem lucros, tem que despedir pessoas. As pessoas ao serem despedidas, vão para o fundo de desemprego, ou seja, agora passou a ser o Estado a “sustentar” essas pessoas. Ou seja, um aumento do IVA, que deveria servir para aumentar a receita fiscal do estado, faz com que, diminua a receita fiscal e aumente a despesa, e, pelo meio, ceifou a economia, deixou pessoas no desemprego e outras com carências sociais. Poderia dar exemplos, com outros impostos, mas deixo isso para outra altura. Quase que dava para fazer uma Tese sobre isto, e…talvez dê!

 Quanto a estes impostos, percebo que, a título excepcional e no curto espaço de tempo possível, se aumente as taxas do IRC e seja criado um escalão adicional. Quanto ao IVA, achei mal, porque a situação financeira não estava estabilizada, quando o Governo baixou 1% da taxa de Iva, em vésperas de eleições. O resultado está a vista. Tem que agora aumentar em 1% a taxa máxima de IVA, mas também a taxa dos produtos de primeira necessidade. Discordo aqui. Era preferível aumentar 1,5% na taxa máxima, mas não mexer nos produtos de primeira necessidade. Quanto ao IRC, é uma medida completamente castradora do investimento privado. Interno e externo. Como é que uma empresa pode investir em Portugal, se a mão-de-obra é menos qualificada e mais cara relativamente a países como a Eslováquia ou a República Checa e depois (até porque ninguém defende, e bem, uma descida de salários embora fosse conveniente aumentar os índices de qualificação – e aqui o Governo até tem tomado medidas positivas) ainda tem que pagar uma taxa de imposto altíssima? Para além do que, com os processos judiciais a demorarem anos a fio, todos têm medo de fixar cá a sua empresa e depois perante um processo judicial se depararem com problemas complicados. Este aumento do IRC, é portanto castrador do investimento privado, e por isso só se deve recorrer ao mesmo em condições excepcionalíssimas. Mais, isto pode significar muitas empresas irem para a falência. Sei que BE e PCP dirão: Se pessoas pagam, os empregadores – esses malandros, também têm que pagar. Um argumento destes é de quem percebe 0 de economia. E é demagógico. Porque são as empresas que pagam os salários às pessoas e que as podem manter empregadas e com poder de compra.

 Assim, e repito, era preferível, aumentar 1,5% o IVA na taxa máxima e não mexer na taxa mínima. Criar o escalão adicional de IRS e a tributação extra – temporariamente!!. Não mexer no IRC. E acrescento: Suspender as obras públicas, como o TGV, que não traz nenhum impacto à economia e vai aumentar brutalmente a despesa. A não construção do TGV, seria mais que suficiente para, por exemplo, não aumentar agora o IRC. O terceiro auto estrada deveria ser abandonado. A terceira travessia suspensa. E o Aeroporto, repensado, embora a sua construção por módulos permita ir investindo consoante as condições financeiras do país – sendo que, agora, é totalmente desaconselhável.

 Acho bem o sinal de se cortar 5% dos salários dos políticos e dos gestores. Aqui vou mais longe. Os políticos e os gestores públicos deveriam dar o exemplo, e prescindir de um salário. Para dar o exemplo e para motivar a população em torno de um objectivo comum, já que o impacto na economia, é perto do zero.

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Laranja Choque de Regresso!

>> quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Laranja Choque, após esta pausa de algumas semanas, vai regressar.

Este período de reflexão, deveu-se, como mencionei, à necessidade imperativa de ponderar e maturar alguns acontecimentos que sucederam nos últimos meses, com especial incidência nas últimas semanas. Por um lado, o agastamento com esses acontecimentos tolheu parte da disponibilidade mental necessária para que a escrita reflicta exactamente aquilo que penso e quero dizer. Por outro lado, temi que se continuasse a escrever, nos dias a seguir, aos referidos acontecimentos, pudesse cometer imprudências várias, penalizando algumas pessoas que não mereciam ser penalizadas e dando importância a pessoas que apenas merecem ser ignoradas. Ainda, no plano pessoal, uma necessidade de organização no que se refere à gestão de tempo, que carecia ser feita para que a actividade no Laranja pudesse continuar a um ritmo satisfatório, o que não estava, manifestamente, a ser conseguido.

Noutro sentido, o próprio Laranja Choque, precisava de uma reconfiguração. Existiam novos espaços e novas áreas, que pretendia implementar à bastante tempo. Por outro lado, para além do aspecto pessoal deste espaço, sem dúvida o mais importante, existe um outro ponto que se relaciona com a intervenção pública que pretendo fazer. Assim, durante os últimos meses, fui apresentando aqui, o Programa Ganhar uma Geração, através de post’s vários, temas a debate, votações, entre outros instrumentos. Essa tarefa teve o seu terminus. Em sentido inverso, com a minha eleição para Deputado Municipal nas últimas Autárquicas, e findo o prazo de adaptação àquele órgão, após 4 assembleias em que já participei, a intervenção pública que possa fazer, deve também passar por aí. Assim, impunha-se uma reorganização deste espaço.

Em breve, anunciarei os novos espaços e iniciarei a postagem. O único pormenor que falta decidir, é se inicio as minhas notas pessoais primeiro, dando depois lugar aos espaços temáticos, ou se inicio esta nova actividade com um post subordinado ao espaço “Palavra a quem sabe”. Depende também da agenda do convidado. De todo o modo, tenho colocado algumas anotações no meu perfil, da rede social Facebook. De todo o modo, vou colocando novidades aqui. Ate já!

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Bento XVI em Portugal

>> terça-feira, 11 de maio de 2010

Interrompo a pausa no Laranja Choque, para fazer menção à visita de Bento XVI ao nosso país.

É um momento alto para a Igreja Católica e para os Católicos, representa um símbolo de unidade e esperança num futuro melhor. Acima de tudo, é um momento de reflexão e de esperança num futuro melhor, para todos.

Tenho uma admiração grande por este Papa, porque julgo que nunca como agora, foi tão difícil ser Papa da Igreja Católica. Os Escândalos da Pedofilia, têm sido encarados com coragem e frontalidade por este Papa. Não se recusa a falar do assunto. Sobre este ponto gostaria apenas de resumir o meu pensamento numa frase: A Igreja será sempre Santa porque foi fundada por Deus, e sempre pecadora porque é constituída por homens.

A Igreja Católica não padecerá pelo pecado de alguns homens. Bento XVI tem dado um contributo muito importante para a união de todos os cristãos e católicos e na difusão de uma mensagem de esperança e de fortalecimento.

É com fé em Deus e com a tranquilidade que daí advém que devemos encarar os desafios do nosso mundo. A vinda do Papa a Portugal, é o símbolo dessa tranquilidade. Mas também a afirmação dos valores católicos e de uma sociedade mais justa.

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Em Obras

>> terça-feira, 4 de maio de 2010



Amigas e Amigos,

Retirei a maioria dos separadores da barra vertical, deixando apenas o Editorial e o Espaço das Opiniões Convidadas, respeitando todos aqueles que contribuiram durante meses neste vosso espaço. Da mesma maneira, retirei a apresentação dos espaços temáticos constantes da barra lateral. O Laranja está portanto em obras. A novidade é que irá mesmo regressar. Ainda não sei precisar o dia, mas farei a divulgação em post a agendar aqui e através das redes sociais, sendo certo que isso só sucederá, após ter todos os novos espaços programados.

Estas curtas férias na postagem, significam também uma mudança. Uma mudança no registo e no objecto do blogue, que não perdendo, evidentemente, a sua matriz pessoal e intimista, abraçará agora novas funções e abordará novas temáticas, tendo em conta, evidentemente, esse período de reflexão de que vos falei. Poderei também anunciar, que vou chamar a colaborar novos elementos, precisamente com esse intuito mais agregador e diversificado, tendo sempre em linha de conta o pano de fundo em que projectarei os próximos textos.

Dizer ainda, que até ao momento do regresso, poderão ir acompanhando as minhas reflexões, sobre variados temas, que tenho feito através da rede Social Facebook, onde venho aditando várias notas, que desta forma vão suprindo a falta de escrita aqui no Laranja Choque. Pensei criar um perfil do Blogue, mas deixo essa decisão para depois da re-estruturação.

Última nota para responder a todos aqueles que me têm perguntado, simplesmente, “Então o que se passou, afinal?”, que responderei em breve, na sede adequada e no momento oportuno. Depois de o fazer, poderei, eventualmente, dar nota aqui no Laranja Choque, por exemplo, reproduzindo essa mesma resposta.

Ate já!

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Em modo de reflexão

>> segunda-feira, 26 de abril de 2010

A vida é feita de ciclos, de momentos, de desafios, de objectivos. Este blogue, à beira do post nº1000, e com 1 ano e 7 meses de postagem, quase ininterrupta, com apenas 3 meses a terem um número de post’s inferiores aos dias do mês (sendo que dois desses três meses foram os dois primeiros), é um pouco um espelho dos vários momentos que a minha vida vai tendo.

Nos próximos meses, se tudo correr bem, enfrentarei a recta final da minha licenciatura, com toda a carga emocional que isso acarreta, mas também com todo o estudo que isso implica, embora seja entusiasmante, a preparação das orais, o chegar ao fim do semestre e sentir que aprendi mais um pouco de determinada matéria.

Por outro lado, politicamente, fechou-se um ciclo. Mais tarde falarei sobre isso, até porque acho que devo uma satisfação a alguns leitores. E às chamadas, mensagens e contactos pelo Messenger que tenho recebido. Por vezes, na política, devemo-nos remeter ao silêncio. É algo que me custa imenso. Tal como se aperceberam nos últimos 3 ou 4 meses, estive calado sobre assuntos que falava muito. Era o que tinha que fazer, pois estava num ciclo onde isso se impunha. O resultado, em termos pessoais, foi um tremendo desgaste. É complicadíssimo termos várias coisas para dizer e não as podermos dizer. Termos vontade de dizer, claro que não vou, e ter que se ir. Mas foi uma fase absolutamente apaixonante, pois percebi e aprendi muita coisa. Percebi, claramente, com quem não quero estar e para onde não quero ir. Em vésperas de momentos importantes, partilhava com um grande amigo meu, que sinceramente, a vontade ia diminuindo a cada dia que passava, com o que ia assistindo, em silêncio. Cheguei ao ponto, de ter menos vontade de ouvir sim do que ouvir não.

Um dos meus sonhos, é escrever um livro. Daqui por 40 ou 50 anos, existirem pessoas interessadas em ler o que escrevo. Talvez por isso também, vá ensaiando na Blogosfera e noutros documentos que assino. Se chegar a essa altura, com essa possibilidade, estes meses não deixarão de marcar presença nesse texto.

Para já, mais alguns dias, semanas ou meses de silêncio. Não se pode prejudicar o todo, por incorrecções de uma parte. O que cumpre fazer é continuar a lutar, para evitar que a má moeda vingue. Custe o que custar. Contra quem vier.

Com um encerrar de um ciclo a vários níveis, abrem-se outros a vários níveis. Por exemplo, o final da Licenciatura significa o início do Mestrado.

Por tudo isto, cumpre reflectir. Tenho feito isso ao longo da última semana, e continuarei a faze-lo nos próximos dias. Para além disso, tenho andado a mil com todas as obrigações políticas que pendem sobre mim e com o estudo que tenho, em vésperas de frequências e com a matéria não tão adiantada como gostaria. Por tudo isto também, a cadência de textos no Laranja Choque diminuiu. Acho que também o Laranja Choque deve parar para reflectir.

Por essa razão, e esperando que os leitores aguardem pelo seu regresso, de cara lavada, anuncio a interrupção da postagem por período indeterminado. Até ao regresso, podem me ir acompanhado, no meu Mural do Facebook, onde não deixarei de anotar uma outra reflexão que me pareça pertinente. Qualquer novidade, comunico.

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Polémica com Teste de Direito Constitucional

>> quinta-feira, 22 de abril de 2010

Tem-se gerado polémica em torno do teste de Direito Constitucional, realizado ontem na minha Faculdade, saindo várias noticias nos Jornais e Rádios. Estou com pressa, e não poderei agora pronunciar-me aprofundadamente sobre o assunto, mas não percebo a polémica.

Basicamente pedia-se aos alunos para aferir da Constitucionalidade de três realidades: Casamento entre homossexuais, casamento entre pessoas e animais e poligamia. Três assuntos, completamente diferentes. O Regente, não quis, fazer uma comparação das realidades, questionou os alunos sobre os três problemas em termos diferenciados.

De todo o modo, tive a oportunidade de apresentar em prova de melhoria de nota, na cadeira de Direitos Fundamentais, a minha posição sobre o enquadramento constitucional do Casamento Homossexual, sendo que, por razões enunciadas nessa prova, considero que o mesmo enferma de inconstitucionalidade material.

Basicamente, o casamento e a família são uma instituição garantida pela constituição. O legislador pode moldar essa instituição sem que isso a permita eliminar ou desfigurar o seu núcleo essencial. Existem vários constitucionalistas, que entendem que o casamento entre pessoas do mesmo sexo, desvirtua o núcleo essencial dessa instituição, o casamento, tendo até em conta, a clausula de recepção da DUDH, prevista na nossa Constituição da República Portuguesa. Mais tarde, voltarei ao assunto, e posso transcrever aqui excertos da minha prova para melhor entenderem esta posição.

Assim, se eu tivesse realizado esse exame, diria que o casamento entre pessoas do mesmo sexo era inconstitucional pelas razões que aduzi nessa prova de melhoria. Diria que o casamento entre uma pessoa e um cão, era igualmente inconstitucional, e um dos argumentos seria também o desvirtuar desse núcleo essencial de uma instituição garantida pela nossa lei fundamental. Sobre a Poligamia, o argumento poderá passar pela dignidade da pessoa humana, mas mais uma vez, como ponto comum, com o desvirtuar dessa instituição e do próprio núcleo familiar, entre outros argumentos que poderiam ser aduzidos. Existe um ponto comum, mas as justificações são diversas. No caso da poligamia, julgo que se deveria atentar um pouco no Direito Comparado também.

Mas o teste, poderia perfeitamente ser visto de uma outra forma. Os defensores do casamento homossexual poderiam defender o casamento, dizendo que evidentemente não existe a tal desfiguração da instituição do casamento, para além de outros argumentos como a pretensa violação do artigo 13º da CRP, e poderiam, exemplificar como outras realidades, essas sim, modificativas do núcleo essencial do casamento, a poligamia e o casamento entre pessoas e animais.

Não percebo portanto a polémica.

Volto a dizer que vi a noticia e apressei-me a vir comentar. Mas cumpre explicar-vos tudo isto com mais calma. Até logo!

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Sem comentários.

>> sábado, 17 de abril de 2010

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Este tinha que partilhar...

>> sexta-feira, 16 de abril de 2010

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Texto de Opinião

>> quarta-feira, 14 de abril de 2010

Cito hoje um artigo que saíu no Jornal de Negócios. O autor é...o meu amigo Pedro!

Este badameco com um artigo publicado no Jornal...

Fica a transcrição, com uma pitada de orgulho:

"Para os operadores de telecomunicações o ano de 2009 primou pela focalização no curto prazo. Face ao "credit crunch" e aos acrescidos graus de incerteza e risco, os players adiaram decisões de investimento definindo como alvo o controlo dos rácios de...


Para os operadores de telecomunicações o ano de 2009 primou pela focalização no curto prazo. Face ao 'credit crunch' e aos acrescidos graus de incerteza e risco, os players adiaram decisões de investimento definindo como alvo o controlo dos rácios de intensidade de Opex e Capex. O sector português, nomeadamente a recente decisão estratégica da Vodafone Portugal, não segue a tendência mundial de contenção.

No sector das telecomunicações, a televisão paga é o mercado com maior receita média por utilizador e contrasta com os outros serviços no crescimento de receitas actual e estimado próximo do 'double-digit'. O mercado está longe do nível de maturidade geral do sector e a margem de diferenciação do serviço não se compara à comoditização da banda larga e da voz.

Em paralelo, o valor criado pelos incumbentes é suportado por elevadas barreiras à entrada de tal forma que existe um evidente risco de duopolização no mercado. Em primeiro lugar, a indexação do preço de conteúdos à base de clientes dos operadores assim como fortes efeitos de rede permitem o acesso a conteúdos estratégicos em condições vantajosas por parte dos incumbentes.

Em segundo lugar, os esforços de aquisição e retenção de clientes traduzem-se em pesados custos de publicidade, de investigação e desenvolvimento e de melhoramento das redes de acesso. O impacto destes custos fixos nas contas dos operadores implica que a escala mínima eficiente seja elevada relativamente à dimensão do mercado. Por último, quem ambicione entrar no mercado fica claramente condicionado pelas limitações do cobre per se e pelas insuficiências no modelo regulatório da oferta de rede cobre da Portugal Telecom.

Por outro lado, uma duplicação da rede fibra da PT, servindo apenas um operador em solitário, é um investimento inviável. Sem uma resposta favorável do regulador relativamente à partilha das redes fibra instaladas, o financiamento público de redes rurais assim como soluções de investimento partilhado entre novos operadores poderão vir a permitir o aumento do seu mercado potencial.

Contudo, num sector em que a escala é crucial, as vantagens decorrentes do posicionamento global do Grupo Vodafone representam para a subsidiária portuguesa uma fonte de vantagem competitiva. Os custos de marketing e de investigação e desenvolvimento beneficiam de uma escala alargada e, particularmente, o poder negocial do gigante mundial das telecomunicações é uma vantagem competitiva no acesso a conteúdos.

A Vodafone Portugal poderá ainda capitalizar os investimentos nas redes de quarta geração móvel, quer a curto prazo, porque estas partilharão vários elementos com as redes de fibra, quer a longo prazo, porque o móvel poderá ser um veículo alternativo de televisão paga.

Num mercado em crescimento, onde a Vodafone Portugal tem potencial para obter vantagens competitivas sustentáveis, as contingências do acesso à rede serão o obstáculo para que a empresa dispute verdadeiramente as quotas de clientes da PT e da ZON. "


Baseado no trabalho de projecto "Vodafone Portugal entry in the Pay-TV Market: What is the Potential for Profitability?", Mestrado em Gestão, Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, 2010. Trabalho orientado pelo Professor Luís Almeida Costa.


Pedro Correia
Aluno do Mestrado em Gestão
Faculdade de Economia da UNL

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Análise ao Derby e outras notas desportivas

>> terça-feira, 13 de abril de 2010

O Benfica ganhou por dois a zero ao Sporting, num derby lisboeta bem disputado, que deixa o Sport Lisboa e Benfica a 7 pontos do título de campeão nacional, isto se o Braga vencer todos os jogos até final.

O Calendário do Benfica está longe de ser fácil, pelo contrário, é muitíssimo mais complicado que aquele que o Braga terá que enfrentar, sendo que, já para a semana, o Benfica terá que enfrentar uma terrível deslocação a Coimbra, para defrontar uma Académica muito bem orientada pelo seu treinador. Ainda assim, acredito na vitória do Benfica, sendo que, se isso acontecer, na pior das hipóteses fica a precisar de amealhar 4 pontos em 9 possíveis.

Descendo ao Derby, o Sporting entrou mais forte, protagonizando 30 minutos de grande qualidade, onde se superiorizou à turma da Luz, jogando com uma intensidade acima da média, não permitindo que o Benfica organizasse o seu jogo e chegasse com perigo à baliza de Patrício. Faltava ao Benfica, claramente, um organizador de jogo, alguém que fizesse as transições defesa ataque, encontrando-se a equipa do Benfica desguarnecida de Saviola e Aimar. Os últimos 15 minutos do primeiro tempo, foram já de maior pendor do Benfica, ou, pelo menos, de maior equilíbrio entre os dois conjuntos. A verdade é que mesmo neste período de maior domínio do Sporting, as oportunidades de perigo escassearam.

Na segunda parte tudo mudou. Com Aimar, o Benfica passou a organizar o seu jogo de forma a tocar o brilhante. Uma segunda parte de encher o olho, com um domínio avassalador do Benfica. O Sporting, começou a fraquejar, e foi com naturalidade que o Benfica chega ao primeiro golo, por Cardozo. O Sporting esboça ainda uma reacção, mas sem nunca causar perigo à baliza de Quim. Aimar, absolutamente decisivo, viria a fechar a contagem, com um excelente golo. Desde então, o Benfica geriu a vantagem e o esforço dos seus jogadores.

Salienta-se, pelo Benfica, Amorim que cada vez mais merece ser chamado à selecção, tal como Martins. Ainda Ramires, que corre quilómetros e quilómetros, e David Luiz um senhor jogador. Do Lado do Sporting, talvez João Moutinho tenha sido o melhor.

Quanto à arbitragem, considero que o jogo de hoje foi muitíssimo difícil de gerir. Muitas faltas, muitas paragens, um jogo demasiado viril. Mas não consigo compreender, como é que o Sporting fala de arbitragem. Luisão, caso não tenha escorregado, deveria, efectivamente, ter sido expulso. O Arbitro estava perto, e assim não o entendeu. Por outro lado, Miguel Veloso, já numa fase final do jogo, também o deveria ter sido por agressão a Ramires. O mesmo Ramires que já tinha sido vitima de uma entrada violenta de um outro jogador leonino no lance do penalty que fica por assinalar sobre Cardozo. Cardozo, é derrubado dentro da área, com violência, ficando lesionado, não se sabendo ainda a extensão da sua lesão. Ainda, embora mais duvidoso, um lance de bola na mão de Carriço, perto do minuto 45. Somando tudo, acho que o Benfica teria mais motivos de queixa que o Sporting. Mas, ainda assim, tendo em conta a dificuldade do jogo, daria nota positiva ao arbitragem de João Ferreira.

O Sporting fica a 26 pontos do Benfica, numa época para esquecer. Não fui adepto da escolha de Carvalhal, a quem não reconheço excepcionais qualidades. Contudo, o Sporting progrediu bastante. Teve uma fase com 7 vitórias consecutivas. Conseguiu vencer ao Porto, goleou 5-0 o Rio Ave na Jornada Passada. Passou a marcar muitos golos e a sofrer menos e a jogar um futebol muito mais atractivo. Eliminou o Everton, tendo tido alguma infelicidade na forma como foi eliminado pelo Atlético Madrid. Na Taça da Liga, foi eliminado pelo Benfica, tendo tido também alguma infelicidade com a expulsão prematura de João Pereira. Passou por uma fase complicada, tendo tido quatro homens fortes para o futebol: Barbosa, Sá Pinto (que saiu do clube por agredir um jogador), Salema Garção e agora Costinha. Teve que recuperar animicamente uma equipa que ameaça descambar e cair severamente pela tabela classificativa. Teve que aguentar o barco, quando o presidente foi embora com vários jogos importantes. Teve que suportar o caso Izmailov (com Izmailov qual teria sido o resultado com o Atlético Madrid?). Não digo que devesse ou não continuar. Acho que pelo que desenvolveu, poderia continuar, poderia ser dada uma oportunidade. Mas admito uma opinião contrária. Agora, é absolutamente repugnante afirmar que não se renova com o treinador a um mês e meio do fim. Que autoridade tem agora Carvalhal no balneário? Que motivação terá? Que lhe poderá ser exigido?

No final da época, Bettencourt deveria sair e convocar eleições antecipadas. Simplesmente é fraco. Não tem condições para liderar um clube como o Sporting, um clube histórico e muitíssimo importante no panorama nacional. Não está à altura da grandeza da Instituição a que preside.

Nota final, para o apuramento histórico do Desportivo de Chaves para a final do Jamor. Com o Porto com o passaporte praticamente assegurado, seria interessante uma surpresa na final da Taça, no Estádio Nacional, embora seja um cenário pouco crível, já que é o único troféu que o Porto pode ganhar este ano, sendo que, nessa medida, fará ai o jogo da época.

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