Sou muito critico em relação às, ditas, discotecas do nosso país.
Já escrevi muito sobre isto. Noutros lugares. Já tive conversas infindáveis sobre a temática. Aliás, post’s abaixo, a propósito da degradação dos valores aludida no “a Escaldar” fiz menção ao facilitismo a que hoje se chegou. À banalização de tudo.
Directo ao tema. Durante anos, séculos, as mulheres lutaram pela igualdade. Igualdade jurídica, profissional, sexual, social. Enfim, lutaram e conseguiram. E ainda bem. Não há qualquer motivo para distinguir, no que aos direitos e deveres diz respeito, uma pessoa do sexo masculino e uma outra do sexo feminino.
O que hoje se passa, em muitos lugares, mas em especial, na maioria das discotecas, “rebenta” com qualquer igualdade. Aliás, acho mesmo que o que hoje se passa na maioria das discotecas, violenta o principio da dignidade da pessoa humana, previsto no artigo 1º da Constituição.
Que o que se passa nas discotecas é ilegal, já nós sabíamos. Que frequentam esses espaços, (a que ninguém ou quase ninguém vai para simplesmente dançar) crianças de 11, 12,13,14 anos já todos sabíamos. É ilegal? É. Alguém faz alguma coisa? Não.
Mas passando isso, que parece que choca muita gente, mas não choca quem devia: A família.
Qual é o esquema das discotecas hoje: Um mediador (o dono da discoteca) dá dinheiro às mulheres, no sentido de estas pagarem muito, muito menos do que daria o lucro estimado à casa. Como não há almoços grátis, alguém tem que pagar a factura. Quem paga a factura são os homens. Que autenticamente pagam um serviço.
Já ouvi, vezes e vezes, rapazes dizerem: Vou ali à discoteca L (não devo referir o nome do espaço, mas não deve ser difícil do leitor descobrir). Pago apenas 12 euros e é garantido que vou…enfim…dar uns beijinhos a uma rapariga. Autenticamente isto. Ou seja os rapazes pagam um serviço. E o dinheiro reverte para as raparigas.
Eu não sei o que querem chamar a isto. Um homem paga a uma mulher para dar uns beijinhos. Chamem o que quiserem.
- É marketing Tiago!
- Talvez, mas será admissível que se utilize uma pessoa humana, como um meio para atingir um fim? Será admissível que se pague dinheiro a um ser humano, para servir de isco, no sentido de atrair homens, para a casa onde supostamente se dança ter lucros acima da média? Dois problemas: O primeiro a manifesta desigualdade entre sexos. O segundo a ideia de que a mulher é um meio e não um fim, indo contra o principio da dignidade da pessoa humana, que proíbe a instrumentalização do ser humano. Mais, vai contra toda a lógica Kantiana do homem como fim em si mesmo.
E hoje, fiquei ainda mais triste. Porque ainda existia aquele argumento, que separava, ainda, um pouco, o que se passa nas discotecas de uma prostituição escondida. Não se dá dinheiro directamente às mulheres. Faz-se um desconto. Eu retorquia, argumentando que é tudo o mesmo. Mas hoje já nem tenho que argumentar.
Expresso:
“Uma discoteca na Praia da Rocha, em Portimão, vai dar notas de 5 euros a todas as clientes que se apresentarem no estabelecimento aos sábados, numa acção de marketing qualificada como de "combate à crise". “
Vou, pela primeira vez, escrever um palavrão aqui no blogue. Mas não consigo suster.
Que merda vem a ser esta?
Agora dá-se dinheiro às mulheres, e só às mulheres, por irem a uma discoteca. Combate a que crise? Está tudo louco? Será que só eu é que vejo onde isto não é admissível?
Enfim, e o maior jornal do país, dá cobertura a isto, como se fosse um bom sinal. Uma ideia inovadora.
Ontem deambulei com o meu amigo Pedro, por Lisboa, e quando passámos ali na Expo, andámos um bocado pela zona dos bares, antes de irmos ao Casino. Primeiro panfleto: Mulher não paga. Segundo: Mulher não paga e tem bar aberto.
Sinceramente, aconselho os leitores, a perderem uma sexta-feira à noite, e irem a uma qualquer discoteca. Pode ser aquela, a discoteca L. Vão lá, encostem-se e vejam o cenário. De vómito, literalmente.
As ultimas duas vezes que saí, as únicas no ultimo ano talvez. Kapital, Gala da Faculdade de Direito. Preços iguais. Festa da Cerveja, também na FDL. Preços iguais.
Não comparticipo crimes.
Read more...