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Na opinião de, Tiago Fonseca*

>> quinta-feira, 18 de março de 2010

Psicologia da Política – O que é o espaço ”Psicologia da Política”?

Agradecendo o convite feito pelo Tiago Mendonça, este será um espaço com vários textos sobre vários temas onde a psicologia, na aplicação da sua definição lata de compreensão de uma situação e previsão da consequência respectiva, pode explicar o que se passa na política, cultura e na sociedade portuguesa, sempre atenta aos pormenores que formam esses temas.



Contudo, na psicologia, como na política, é preciso ter em conta que teorias não faltam sendo que cada indivíduo terá a sua. A apresentada neste espaço é a minha visão, a minha teoria.



A psicologia procura explica um grande conjunto de questões e todas as teorias usadas nesse sentido têm uma finalidade parecida: explicar o “porquê” e o “como” dos acontecimentos, sem nunca deixar de “descortinar” o mesmo nos seus pormenores à luz da sua base, da sua teoria, neste caso, a minha.

Texto 1

A Democracia é um Bem Virtual?


O que é a democracia? No dicionário podemos ler: “Governo em que o povo é soberano, directa ou indirectamente; O povo, em oposição à aristocracia.” (Dicionário on-line Priberam)



A democracia como é entendida, mostra um constructo com vantagens numa sociedade, onde todos participam com a sua opinião, dando a sensação de pertença a uma cultura que nos deixa opinar e que ainda por cima, faz dessa opinião a final, visto que num sufrágio, referendo ou outra votação nacional, o resultado de votos da população ditará o resultado.



Aplicando esta última definição de democracia a umas eleições legislativas, significaria que todos os partidos com pelo menos 1 (um) voto estariam representados na Assembleia da República, onde todos os cidadãos, aí sim, estariam representados. Tal não acontece.



Se fizermos uma retrospectiva, existiram algumas alterações estruturais no nosso país que não foram alvo julgamento da população: Entrada na União Europeia; Alteração para a Moeda Única, EURO; Alteração do Acordo Ortográfico; Aceitação do Tratado de Lisboa; Legalidade do Casamento Homossexual; Esta última bem recente e que ainda suscita polémica.



O governo pode decidir a realização ou não de um referendo, pedindo ou não a participação da população na vida social do seu país, ou seja, o governo pode decidir a aplicação da democracia ou não. Num estado democrático, a democracia não pode ser escolhida pois é um bem adquirido, constantemente presente.



Alterações estruturais na vivência cultural e em sociedade devem ser questionadas à população, mas sem truques de informação, como aconteceu no referendo sobre a Despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez. Neste caso, o estado permitiu o referendo de uma matéria onde a população estaria pouco informada, sujeita a uma chantagem de despenalização para quem não tem recursos para interromper a gravidez de forma legal.



A não informação da população ou, por outro lado, a existência de informação para os assuntos de interesse do governo formam a democracia do país, onde apenas se aplica a definição da mesma quando “dá jeito” ou quando não existem consequências de maior para a vontade do governo, tendo em conta a informação e o discurso prestado à população.



Podemos concluir que a vontade do povo é virtual, dando à população a simples ideia de que, de vez em quando, a sua opinião é necessária, mas apenas quando não faz muita diferença que esta diga o que deseja, que diga o que pensa, em função da sociedade e cultura onde está presente.



A democracia apresenta-se assim como virtual. Uma ideia que temos de poder, de decisão, que nunca chega a ser real, por opção ou definição. Apenas erradamente se chama democracia.

* Tiago Fonseca, é mestrando do 1ºAno de Psicologia Clínica de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental e Integrativa, na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. Actualmente, é secretário-geral adjunto da JSD/Moscaviide.

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Na opinião de Jorge Janeiro*

>> quarta-feira, 17 de março de 2010

As transformações do Estado

O Estado-nação, apesar de ser uma construção relativamente recente, enfrenta sérias ameaças. Apenas no século XX os Estados reuniram todas as suas componentes, juntando o welfare à legitimidade, à lei e aos recursos. Os Estados coincidiam, grosso modo, com as nações e incorporavam os cidadãos no espaço nacional ao lhes concederem direitos cívicos, políticos e sociais, ao promoverem obras públicas, educação e saúde e ao instituírem o serviço militar obrigatório. As nações, governadas por elites que se viam agora obrigadas a buscar o apoio das classes médias, eram relativamente homogéneas, imperando o sentimento de classe, sustentáculo dos partidos democratas-cristãos, sociais-democratas e marxistas. O Estado-Providência, etapa última do Estado-nação, consubstanciava um poder incontestado ao nível interno e intocável ao nível externo.

Hoje a realidade é muito diferente. Os constrangimentos financeiros dos anos 70 e 80 obrigaram os Estados a retrair as suas funções, privatizando serviços e aplicando formas de gestão privada à Administração Pública. A sociedade civil ganhou um papel activo em diversas áreas, nomeadamente, no sector social através das Instituições Privadas de Solidariedade Social (IPSS). Por outro lado, o fenómeno de integração europeia tem vindo gradualmente a condicionar os Estados, limitando a sua liberdade de acção (a obsessão do défice deve-se a imposições da moeda única). Ao nível interno, os governos viram o seu poder ser desafiado por uma panóplia de entidades reguladoras e institutos bem como pelo aparecimento de regiões e municípios fortemente zelosos do seu poder e sempre reivindicativos de mais competências.

O Estado-nação de hoje está em crise, tendo, acima de tudo, de reforçar a sua capacidade de negociar com networks sectoriais. E só consegue cumprir esse desiderato com funcionários e dirigentes dotados de mais competências, sobretudo transversais, pois a realidade está em permanente mutação. A realidade social e económica tem vindo a impor um carácter mais regulador e negociador ao Estado, o qual, gerido fundamentalmente por partidos com matrizes ideológicas dos finais do século XIX, desajustadas, portanto, do novo tipo de sociedade pós-industrial, tem cada vez mais dificuldade em demonstrar a sua importância.

O fortalecimento do individualismo, das novas identidades (sexuais, geracionais, regionais) e dos valores pós-materialistas, como a exclusão social, tornou incompreensível o papel do Estado e, sobretudo, indesejável a intervenção pública aos olhos dos cidadãos. No passado este levava o progresso às populações, dando-lhes estradas, hospitais e escolas. A sua acção era visível. E os cidadãos, habituados a viver mais em comunidade, aceitavam e incentivavam a sua acção. Hoje assiste-se ao contrário, não só porque as expectativas aumentaram mas também porque a sociedade, devido ao aumento da heterogeneidade, se rege pelo individualismo e por redes organizadas em torno de questões imateriais. O sentimento de classe desvaneceu-se. A família e a vivência comunitária soçobraram perante a urbanização acelerada. Os laços quebraram-se e as pessoas desenraizaram-se.

O PSD deve acompanhar as transformações sociais para poder, também ele, transformar o Estado. O PSD é um partido interclassista que preconiza o Estado social, uma economia social de mercado fortemente baseada e incentivadora da iniciativa privada e uma sociedade tolerante. Tem a flexibilidade suficiente para se adaptar a esta nova sociedade e deve definir a sua posição em determinadas matérias, nomeadamente:

1. Na esfera da vida privada, defendendo os valores da família mas abstendo-se de definir o tipo de família;
2. Na defesa da meritocracia e da transparência, revendo os processos de recrutamento de funcionários públicos e de nomeação de dirigentes bem como pela instituição de um rácio de assessores por funcionários para evitar a tentação de colocar os gabinetes autárquicos e ministeriais a fazer o trabalho dos serviços.
3. Na defesa de um país mais equilibrado, desconcentrando serviços públicos pelo interior, inclusive através da transferência de entidades ministeriais, e pela descentralização administrativa com a criação de regiões no continente.
4. Na defesa de uma coesão social baseada numa economia competitiva cuja pedra de toque seja o valor acrescentado por uma mão-de-obra qualificada. Isto implica um investimento suplementar em educação e formação contínua, bem como a difusão de um espírito de responsabilidade que aumente o nível de exigência de quem ensina e de quem aprende, especialmente destes últimos, por beneficiarem do esforço colectivo e da generosidade dos outros portugueses.
5. Na defesa de um Estado intervencionista que assegura a equidade social e territorial e aumenta a capacidade produtiva do país, estimulando as redes e as iniciativas privadas, e se afasta da sustentação artificial da economia.

Poderia, naturalmente, alongar-me na minha exposição, mas penso que os elementos aqui sublinhados constituem por si só um referencial potenciador de reflexão. Termino agradecendo ao Tiago Mendonça o convite que me endereçou para escrever no seu blogue, e faço-lhe o mesmo convite para escrever no meu sobre um tema à sua escolha.

Um bem-haja a todos!

Jorge Janeiro

*Vice-Presidente da JSD/Oeiras, uma das mais activas do país.

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Na opinião de Paulo Garrido*

>> quinta-feira, 11 de março de 2010

O Modelo de Rateio Activo

Na vida partidária, em paralelismo com outros sectores de actividade, devemos manter permanentemente a capacidade de questionar certas realidades. Os modelos organizacionais dos Partidos, Institutos, Fundações e das Empresas são, tipicamente, ajustados para fazer face a características e problemáticas que são contextualizados no tempo. Faz parte do processo de evolução organizacional destas estruturas a obrigação de ajustar os modelos de gestão à realidade dos objectivos presentes.
Em período de campanha eleitoral interna e numa altura em que o Congresso se vai pronunciar sobre projectos de alterações estatutárias, existe uma questão que requer reflexão, carece de enquadramento estatutário e que parece condenada a ficar na lista de problemas conhecidos mas sem solução à vista.

Falo do problema de desvirtuação do princípio da democracia representativa como consequência do número muito extenso de militantes inactivos que existem hoje em dia no PSD.

São vários os casos de militantes inactivos. Muitos nem sequer são contactáveis. Outros, quando contactados, desconhecem a Secção a que pertencem, advogam não pagar quotas, não exercem o direito de voto e tão pouco participam em acções de campanha. São militantes, alguns por acidente, outros por favor, que não são interessados no Partido. Contudo, estes militantes têm a capacidade de influenciar decisivamente as eleições no PSD.

De facto este conjunto de militantes que não exerce conscientemente o seu dever de militância, ou o conjunto de militantes que desconhecem os seus deveres de militância têm capacidade eleitoral no PSD: Como? Utilizemos um exemplo aproximado que acontece no nosso Partido:

Uma secção com 1000 militantes, mas dos quais cerca de 600 são “fantasmas” vai a eleições. Elege 10 delegados ao congresso nacional ou 20 conselheiros distritais por força de ter 1000 militantes inscritos nos cadernos. Este resultado é independente do número de militantes que tenham votado no acto eleitoral.
Uma outra secção, com 500 militantes, mas dos quais apenas 50 são “fantasma” também participa do mesmo acto eleitoral. Elege 5 delegados ao congresso nacional ou 10 conselheiros distritais. Contudo, nesse acto eleitoral votaram 400 militantes da Secção.

Que conclusões podemos extrair da comparação dos resultados eleitorais nestas Secções?

Uma análise quantitativa diz-nos que na Secção onde 400 militantes expressaram a sua vontade foram eleitos metade dos delegados a congresso (ou conselheiros distritais) do que a secção onde votaram 10 militantes. Uma análise qualitativa diz-nos que o voto de 10 militantes de uma Secção é muito mais relevante do que o voto de 400 de outra.

Este exemplo, que não anda longe de algumas realidades vividas no nosso País, demonstra que o nosso modelo organizacional não qualifica a militância participada e activa num patamar superior ao da militância inactiva musculada. Constata-se que a presença deste género de militantes inactivos nas Secções ou Núcleos constituí um factor decisivo das geografias de poder dentro do nosso Partido. Há quem entenda que é mais importante ter muitos militantes, ainda que inactivos, do que ter muitos militantes activos.

O príncipio da nossa organização partidária assenta no conceito de democracia representativa. Ou seja, faz-se a representação de todo o Universo de militantes através de estruturas organizadas (Núcleos, Secções, Conselhos Distritais e Conselho Nacional) por uma pequena parte de militantes eleitos para o efeito. A questão de fundo que tem de ser resolvida coloca-se quando está demonstrado que os “militantes fantasma” distorcem e disvirtuam o príncipio da democracia representativa. O exemplo dado anteriormente é disso ilustrativo.

Existem consequências de ordem política que advém directamente desta fenomenologia de proliferação de militantes inactivos ou falsos militantes. Se é apenas o número de militantes que define o critério de representatividade de uma Secção, pois passa a ser justamente aumentar esse número (quantitativamente e não qualitativamente) a missão política de alguns dirigentes das mesmas. Não sendo per si um acto nobre filiar com este príncipio, não deixa de ser acção política. Interessa contudo, reverter o modelo. A Política deve sempre ser Nobre.

Dado este enquadramento devemos ser capazes de agir contra esta adulteração de príncipios de representativade democrática. E ao agir, temos de procurar outro tipo de enquadramento estatutário que nos permita garantir que é possível salvaguardar e promover o príncipio da democracia representativa dando mérito e valorizando quem é capaz de mobilizar, interessar e motivar os seus militantes.

No decorrer desta análise a proposta que entendo que dá resposta a este problema é uma alteração substancial no modelo de rateio que é hoje aplicado para o cálculo de delegados e conselheiros que cabem às Secções.

A proposta é simples: Um modelo de Rateio Activo. Proponho que o rateio seja feito posteriormente ao acto eleitoral, com base no cálculo de número de votantes por Secção em cada acto eleitoral. A premissa enunciada pretende garantir que quem mais votos totalmente deverá ser mais representado. Desta forma, torna-se imperativo a todas as Secções serem capazes de motivar e de mobilizar para que os seus militantes expressem verdadeiramente a sua vontade eleitoral. A relação Secção-Militante deixa der ser apenas no momento da concretização da filiação e tenderá a tornar-se estável e constante ao longo do tempo. É obtendo a expressão da vontade dos militantes que se deve concretizar a a representatividade das Secções. Este factor de competição é capaz, à semelhança da vida profissional, de nos levar à necessidade de todos, em conjunto, sermos capazes de nos exceder e de alcançar mais e melhor. Desta maneira ganham os militantes, ganham as Secções e fortalece-se o Partido com príncipios de exigência e mérito.

Esta solução tem um príncipio condutor muito claro. Pela afirmação da militância activa constrói-se o modelo de representatividade. É, nesse aspecto, absolutamente democrática, mas acarreta algumas condicionantes práticas previsíveis de natureza da fiscalização de resultados eleitorais. Sendo um modelo que “premeia” os números da votação é nesse sentido que o modelo tem de ser defendido. É de supôr que podem existir tentativas de iludir o sistema fazendo aparecer nos resultados das votações mais votos do que aqueles que na prática ocorreram. Isto transfere para a fiscalização do acto eleitoral uma importância absolutamente decisiva.

Há naturalmente mecanismos de garantia que se podem aplicar para a fiscalização do acto eleitoral de modo a assegurar “veracidade” do acto. Para além desta questão, há outras, de cariz operacional, que carecem ser postas à discussão. Neste momento o que me parece ser fundamental é discutir a aplicabilidade a curto prazo do princípio de rateio aqui enunciado.

Outro mecanismo que julgo que tem de ser conjugado com este é o da Refiliação. Uma vez efectuada, a Refiliação (que deveria ser imperativamente uma bandeira do próximo Presidente do PSD) permite “limpar” as listagens de militantes inactivos ou militantes virtuais. Contudo, se não existir uma definição de periodicidade obrigatória para este mecanismo, o efeito da Refiliação só não é mais do que usar um analgésico para minorar os efeitos de problema latente e que não ataca a origem do problema.

Por isso defendo que o próximo Presidente do PSD deveria assumir desde já um compromisso para com uma Refiliação assim que for eleito. Posteriormente deve implementar um mecanismo estatutário que permita defender uma militância activa sustentada e que não se socorra de um processo logístico com custos elevados para adiar a solução.

Cumpre fazer um esclarecimento fundamental. A ideia desta proposta não entra em conflito com a bondade e com a importância fundamental da filiação de militantes no PSD. Devemos, hoje em dia, ir mais além. Não basta filiar, é preciso fidelizar. Aquilo que se procura alcançar é um relacionamento mais saudável e durador entre os militantes e o Partido, através das Secções.

Combinar a Refiliação com o modelo de Rateio Activo, garantindo-se a verdadeira fiscalização dos actos eleitorais, significaria um passo importante de afirmação democrática de representatividade e de culto da meritocracia do trabalho de todas Secções.

É por estes príncipios que a JSD se deve sempre bater.

*Paulo Garrido é actualmente vice-presidente da secção Oriental de Lisboa. É licenciado em engenharia electrotécnica pelo IST.

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O Dia B, por Bruno Antunes

>> terça-feira, 9 de março de 2010

Desta vez lá tiveram juízo.

Se no caso dos minaretes, a maioria dos suíços demonstrou em referendo, alguma, para não dizer muita, falta de tolerância por aqueles que professam outro credo ou religião, desta feita em novo referendo a maioria dos suíços resolveu demonstrar ter mais tino.

Este novo referendo perguntava aos suíços se entendiam admissível a existência de advogados de animais. A resposta foi negativa em larga maioria (70,5%) e o povo suíço chumbou aquela hipótese.

Obtive o conhecimento desta iniciativa suíça pelo Diário de Notícias e ao ler a notícia apercebi-me dos motivos pelos quais os suíços rejeitaram esta proposta. Não sei se é um palpite da jornalista ou um facto mas na notícia podemos ver este trecho “O país (…) votou em massa (…) contra a proposta (…) rendendo-se talvez ao argumento de que isso representa um desperdício do dinheiro dos contribuintes.”. Já outro argumento perante o qual os suíços terão sido sensíveis foi o de que para os produtores de gado e de leite a aprovação daquele cenário representaria um aumento de burocracia. Ainda outro vai no sentido de o país dos relógios ter leis bastante protectoras dos animais.

Estes argumentos apresentados parecem-me pertinentes até certo ponto mas não são de todo os mais decisivos. A julgar pela notícia parece que ninguém se lembrou do argumento mais determinante, o de que num Estado de Direito só faz sentido ser parte processual quem tem personalidade judiciária (entre outros pressupostos que aqui não cabe analisar), aliás, melhor dito, “personalidade judiciária consiste na possibilidade de ser parte” de acordo com o Artigo 6º nº1 do Código do Processo Civil. No 2º nº explicita-se que tem personalidade judiciária quem tem personalidade jurídica. Ora, os animais não têm personalidade jurídica e também não ocorre nenhuma das situações do nº3 do mesmo artigo que postula uma extensão da personalidade judiciária que não chega aos animais.

Parece que este artigo português não tem paralelo na Suiça, ou se tem, ninguém se lembrou dele, estranhamente. A Suiça tem uma legislação bastante vincada na protecção dos animais como refere a notícia, com leis que proíbem o lançamento de peixes em sanitas, que obrigam a que os hamsters e periquitos tenham um parceiro na gaiola, que o gado e cavalos têm que fazer exercício fora dos estábulos e que os donos de cães têm que passar por cursos para cuidar deles.

Concordando-se ou não com aquelas leis, vemos que a Suíça continua a brindar-nos com casos sui generis. Algo que cá por Portugal parece impensável, por cá parece imperar o juízo.

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Na opinião de, Hugo Sampaio*

>> segunda-feira, 8 de março de 2010

A Importância da informação na JSD

Ninguém duvida que vivemos numa sociedade comunicacional. E nesta, tal como o ar, as notícias sobre (quase) tudo e sobre (quase) todos circulam ininterruptamente. Na feliz expressão de McLuhan, nos dias que correm o mundo não passa de uma “aldeia global”. Quem não tiver consciência disto, não está preparado para fazer chegar a sua mensagem junto dos seus concidadãos que, a ser assim, facilmente conhecerão o que se passa no extremo da aldeia, mas continuarão sem saber o que está a acontecer à porta da sua casa ou à porta do vizinho da sua rua.
Daí que seja fundamental que qualquer instituição/organização desenvolva instrumentos e estratégias de comunicação que se traduzam na construção de uma eficaz e eficiente rede por onde circule a informação.

É neste contexto que em qualquer Comissão Política Nacional da JSD é importantíssimo o Gabinete de Informação Nacional. Trata-se, como é óbvio, de um órgão a quem compete promover a comunicação interna e externa da CPN, contribuindo para a consolidação e manutenção da imagem do JSD e difusão da sua mensagem.

Exemplo de um plano estratégico de comunicação de uma CPN:
Sob a orientação do Director de Informação Nacional da JSD em estreita colaboração com toda a Comissão Política, caberá a este Gabinete a implementação das seguintes tarefas:

• Promover uma política de comunicação forte e eficaz, em que a circulação da comunicação entre a CPN e os seus militantes e simpatizantes seja sinónimo de proximidade e de interacção;

• Promover e divulgar a imagem da CPN junto do público externo e dos Órgãos de Comunicação Social, de forma a interagir com a sociedade de um modo mais dinâmico;

• Gerir a relação da JSD com os Órgãos de Comunicação Social;

• Divulgar junto dos media as tomadas de posição assumidas pela CPN, assim como as iniciativas e eventos considerados relevantes;

• Criar e gerir os conteúdos do sítio institucional na Internet;

• Elaborar, periodicamente, uma newsletter para os militantes e simpatizantes do JSD (distritos e regiões autónomas) que, para o efeito, se registem;

• Potenciar sinergias para o envolvimento dos militantes e simpatizantes nos projectos e realizações da JSD nos respectivos distritos e regiões autónomas;

• Todo este trabalho seja realizado de forma articulada com a Comissão Política Nacional da JSD e o Gabinete de Informação Nacional da JSD com a finalidade de obter uma uniformização do mesmo para através da Newsletter potenciar, divulgar e canalizar as actividades realizadas nos diversos distritos e respectivas regiões autónomas capitalizando assim as iniciativas especificas colocando a informação acessível a todos os militantes;

• Capitalizar o formato da Contacto;

• Criação de uma base de dados com o endereço dos membros da Comissão Política Nacional, Mesa do Congresso, Conselho de Jurisdição Nacional, Conselho Nacional, Comissões Políticas Regionais ,Comissões Políticas Distritais ,Comissão Política de Secção e Núcleos;

• Criação de Forúns tipo chat no Site da JSD sobre temas da actualidade sempre que oportuno;

• Possibilidade de diálogo entre membro da CPN e militantes com horário estabelecido;

• Adesão ao hi5, facebook , my space, second life;

• Anuncio de informação relevante através de sms para os militantes;

• Reforço na aposta na JSD TV (Cobertura da Universidade de Verão, Universidade da Europa, Universidade do Poder Local, iniciativas de formação política, factos relevantes);

• Reforço na aposta na JSD Foto;

• Aposta em Tempos de Antena sempre que necessário uma vez que estes são meios de difusão de mensagem e a JSD como maior organização política de Juventude em Portugal tem de ser a alavanca da mudança;

Pretende-se que, através do trabalho deste Gabinete de Informação Nacional da JSD, passe para o exterior, nomeadamente, para a Comunicação Social, e, por seu intermédio, para a população em geral e para a juventude em particular uma mensagem oportuna, pertinente, coerente e concertada, transmitida numa linguagem tecnicamente correcta e profissional, sob o ponto de vista jornalístico.
É a isso que nos obrigam os valores sociais democratas em que acreditamos, mas é isso que, sobretudo, nos exigem os jovens ao esperarem de nós ideias e projectos válidos para a resolução dos seus problemas e para a melhoria da sua qualidade de vida.

Na política como em tudo na vida, quem não aparece esquece. E quem é esquecido deixa de existir…

Importa, portanto, que as nossas ideias e as nossas propostas sejam divulgadas. Que as nossas iniciativas sejam noticiadas. Porque de nada valerá a excelência da nossa mensagem, porventura a melhor da região, se as pessoas que vivem nesta rua da nossa aldeia global chamada Portugal não a conhecerem.´

As rádios e os jornais dos Distritos, são meios em que devemos saber investir, mantendo com todos eles uma relação correcta, sempre através do email oficial. E o mesmo se diga, caso se justifique, com os media de âmbito nacional.
E, assim, ganhará a JSD. Ganhará Portugal…

*Hugo Sampaio é militante da JSD, em Viana do Castelo. Durante vários anos assumiu um papel importante na coordenação da informação nacional da informação da JSD.

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Na opinião de Bruno Antunes - O DIA B -

>> quarta-feira, 3 de março de 2010

No mínimo irónico.

Sempre me mostrei preocupado com a importância concedida pela RTP, e não só, à cidade do Porto. O Porto aparece constantemente em peças jornalísticas como pano de fundo, ou porque há um acontecimento generalizado em todo o país mas se toma por exemplo o Porto. Exemplifiquemos: Se há uma greve de um determinado sector da função pública, lá vai a RTP para o Porto dar conta dos efeitos da mesma na cidade. Isto é, imaginemos, dá-se uma greve dos professores, a RTP surge numa escola do Porto a levantar estatísticas de adesão à greve. Várias situações podem constituir exemplos.
Esta situação é gritante, aliás, é um tema sobre o qual já me debrucei inúmeras vezes no meu blogue.

Posto isto não deixa de ser irónico que a Câmara do Porto tenha interposto uma acção contra a RTP por alegadamente ter silenciado as actividades da Autarquia e do seu Presidente. Logo a RTP, que a par do Jornal de Notícias, deve ser o órgão de comunicação social que mais tempo concede ao Porto cidade e ao Porto clube.

Aliás, a RTP tem um canal chamado RTP N, N de Norte. Alguns dizem que é N de Notícias, mas os factos parecem ir noutro sentido. Aquele era um canal chamado NTV (Norte TV) comprado pela RTP. Para além disso, apesar de o conteúdo do canal ser maioritariamente noticioso, as notícias são constantemente focadas no Porto e arredores, para não dizer que os programas deste canal são filmados no Porto.
Uma justificação baseada na descentralização, e na fuga à constante colocação de órgãos de comunicação social em Lisboa não pode proceder. Há mais cidades em Portugal com capacidade para os receber. Esta situação apesar de evitar a centralização, promove a bipolarização em duas cidades. Este meu ponto de vista parece ter sido o mesmo do da ERC conforme informa o Diário de Notícias “a RTP foi dos operadores de televisão em sinal aberto que mais tempo de emissão dedicou a acontecimentos relacionados com a cidade do Porto, muitos dos quais tendo uma relação directa ou indirecta com as actividades da autarquia.”

Para além disso, e se quisermos analisar o caso em função apenas das actividades directamente realizadas pela Câmara, podemos facilmente concluir que esse género de informação não sucede em relação a nenhuma Câmara. Isto é, que eu tenha conhecimento, nem Coimbra, nem Lisboa, nem Aveiro beneficiam de uma abordagem pelos meios de comunicação social relativamente às actividades das suas autarquias. Aliás, nem têm que beneficiar. Apesar de o canal ser público, não parece aceitável a queixa. Outrossim por ser público, o canal deveria ter outra postura, e abranger um maior número de cidades.

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Dia B, por Bruno Antunes

>> sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Um candidato surpreendente.

Num texto anterior da rubrica “Dia B” dei conta ao leitor de que se esperava uma luta essencialmente reduzida a dois candidatos no que à Presidência da República diz respeito. No entanto, alertei in fine para a possível alteração deste cenário caso um novo candidato surgisse. Ora, parece que esse candidato surgiu. Fernando Nobre será candidato a Presidente da República.
O Presidente da AMI é assim aparentemente o terceiro a entrar na corrida a Belém, digo aparentemente porque Cavaco ainda não disse ser candidato mas presumivelmente sê-lo-á. Com este novo candidato, o cenário eleitoral poderá estar incrivelmente condicionado.

Expliquemo-nos. No tal anterior texto a que já aludi acima, escrevi que sendo a luta a dois dever-se-ia conhecer o vencedor logo na primeira volta. Convém fazer um esclarecimento. Disse naquele texto que o PCP deveria apoiar Manuel Alegre mas tal não é líquido, aliás pelos vistos nem provável é, pelo menos numa primeira volta, de acordo com o que tenho ouvido. Assim, olhemos para estas eleições com quatro presumíveis candidatos: Cavaco Silva, Manuel Alegre, Fernando Nobre e um candidato comunista.

Neste cenário, verificamos a existência de três candidatos à esquerda, um à direita. Ora, esta parece ab initio uma reedição de 2006, com muitos candidatos à esquerda e um único à direita, o que eventualmente a beneficiar alguém será o candidato da direita, Cavaco Silva. No entanto, Fernando Nobre é uma incógnita enquanto candidato presidencial na medida em que não tem máquina partidária mas tem a imagem de uma pessoa que ajuda outras pessoas através da AMI, aliás ficou na 25º posição no programa “Melhores Portugueses”.

Assim, muito do que nestas eleições se vai passar está sujeito à campanha de Nobre. Uma coisa parece em certa medida segura, é que aqueles que dentro do PS se recusam a votar Alegre por o acharem demasiado à esquerda e crítico de Sócrates, podem ter aqui um candidato em quem votar, resta saber se Nobre conseguirá ainda retirar o eleitorado de Alegre que só votaria neste por ser o candidato presumivelmente apoiado pelo PS.

À primeira vista, se Fernando Nobre chegar aos 10% é uma vitória para o mesmo, diria, mas ao mesmo tempo o surgimento deste candidato pode ter entregue em bandeja de ouro um novo mandato presidencial a Cavaco, na medida em que os votos da esquerda se dispersam, fortalecendo o candidato da direita, como acima explanámos.

No entanto, importa fazer um reparo, não faço futurologia e por isso posso estar totalmente errado, esta é uma mera análise, não sei quem vai ser o próximo Presidente. Para além disso, espero que o actual saiba como controlar o clima de crispação institucional hoje existente.

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Na opinião de Ana Isabel Santos*

>> segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Volatilidade Eleitoral

A Volatilidade Eleitoral é um dos temas mais abordados pela Ciência Política na actualidade. Volatilidade Eleitoral (segundo o índice de Pedersen), pretende expressar a mudança líquida dos diversos partidos de uma eleição para outra. Ou seja, pretende apresentar em números reais as transferências de votos ocorridas entre os partidos nas várias eleições. Existem três formas para calcular esta Volatilidade Eleitoral. A mais simples consiste na soma dos ganhos de todos os partidos! Vejamos um exemplo prático de duas eleições com um total de 100 votantes e três partidos:




Através de uma análise deste quadro verificamos que o Partido A perdeu 30 votos, o Partido B ganhou 20 votos e o Partido C ganhou 10 votos. Ora verificamos que apenas o Partido B e o Partido C obtiveram ganhos. Vamos então somar os ganhos: Ganhos Partido B + Ganhos do Partido C = Volatilidade Eleitoral (20+10=30). Verificamos que neste caso existiu um Índice Volatilidade eleitoral de 30 votos.

Analisemos agora a evolução da Volatilidade Eleitoral e as suas causas.
Desde os anos 60 até à actualidade, o Índice de Volatilidade tem sido crescente. E são vários os factores apontados para este crescimento. O professor Russell J. Dalton fala-nos sobre um desalinhamento partidário. De certa forma as pessoas já não se identificam com os partidos como o faziam no passado. Mas, também podemos acrescentar a questão da fragmentação partidária. Actualmente existem muito mais partidos que aqueles que existiam no passado o que, também agrava a Volatilidade Eleitoral.

Outros dois factores que devem ser tidos em consideração são as questões sociais e ainda as vias de informação. No caso da primeira, as pessoas já não são tão influenciadas pela família, amigos e ou religião como antigamente. E com o aumento das vias de informação, as pessoas encontram-se mais informadas e conseguem fazer as suas próprias escolhas.

Em suma, verificamos que actualmente, é muito mais simples e fácil, as pessoas efectuarem mudanças nas suas preferências eleitorais. O que essencialmente se deve a uma sociedade mais informada e com mais opções. O mesmo indivíduo pode decidir votar sempre no mesmo partido, pode decidir votar noutro partido ou até mesmo nem votar.

* Estudante de Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade Católica Portuguesa.

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Diz que é uma espécie de Notícia, por Ana Suwa de Oliveira

>> quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Belmiro de Azevedo em discurso directo

Fonte: http://www.ionline.pt/conteudo/44129-belmiro-azevedo-em-discurso-directo-cavaco-e-um-ditador

Um dos homens mais ricos de Portugal apresenta-se no alto do seu encanto, refastelado na sua casa de Ambrães no Marco de Canavezes, a mandar bitaites sobre tudo o que é homem. É incrível, não há nenhum que lhe tenha escapado. E o meu destaque vai para uma afirmação sua sobre o ex-líder do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa. Diz ele que o professor “é um pluri-pluri” pois “tem dez repostas, todas boas, para a mesma pergunta”. Digam lá se o termo pluri-pluri não é um mimo, a tocar a fofura. Pois é Sr. Belmiro de Azevedo, dou-lhe os meus parabéns. O termo inventado por si não é só fofo, como também se adequa muito bem às declarações que foi tendo ao longo da entrevista. É um pluri-pluri em tema de conversa. Tirou a virgindade a tudo o que era possível ser assunto de entrevista: educação, negócios, finanças, política geral e... Amizades. Faz referência a quatro amigos seus que foram despedidos e que, segundo o mesmo, eram dos melhores ministros que para aí circulavam. Indignado estava, claro. Afinal de contas os nossos amigos são sempre os melhores e ninguém gosta de os ver no meio da rua. Contente também não parecia estar com a candidatura de Manuel Alegre a Belém – para ele a idade é um entrave. Bem, apenas lhe posso dizer que a idade não quer dizer nada, tal como as riquezas e fortunas que possui. É que está visto que não é o dinheiro que confere grande inteligência às pessoas...

Ginecologistas franceses lutam pela existência do ponto G

Fonte: http://www.ionline.pt/conteudo/44469-ginecologistas-franceses-lutam-pela-existencia-do-ponto-g

É caso para dizer: (G)osto mas não encontro. Ora existe, ora não existe. Ora que o ponto G é um mito, ora que tcharan(!) passa a não ser. Tudo porque um grupo de investigadores franceses decidiu reivindicar a existência de tamanho tesouro. Como estes cientistas não têm outras matérias com que se preocupar, tiram e põem o colorido à vida, assim como quem não quer a coisa. A ciência continua a iluminar a nossa existência, mas esta nem sempre chega a conclusões. E para as pessoas não ficarem espiritualmente desanimadas e continuarem a empreender a busca do ponto G, eu deixo uma pista. O ponto G pode estar na última letra da palavra ShoppinG. É o delírio das mulheres a prová-lo e o que o conhecimento empírico nos diz.

Assis desautoriza três vice-presidentes e rejeita "big brother" fiscal

Fonte: http://www.ionline.pt/conteudo/45101-assis-desautoriza-tres-vice-presidentes-e-rejeita-big-brother-fiscal

Se há algo que demonstra o colapso político em que o PS se encontra, é esta proposta de divulgação dos rendimentos brutos dos contribuintes, apresentada e retirada no mesmo dia. Chega-se ao cúmulo de haver cabeças pensantes a quererem divulgar ao mundo os rendimentos dos contribuintes, como se dum preçário se tratasse. Sem dúvida que esta proposta daria muito jeito a determinados cidadãos, portugas ainda por cima. A apetência típica para a bisbilhotice, coscovelhice e codrelhice viria tão depressa ao de cima como um ovo estragado num copo d’água. No fundo, vinha satisfazer a curiosidade alheia de estranhos sem qualquer interesse legítimo na matéria. Se isto é para acabar com a corrupção, vou ali e já venho. É que eu sempre acreditei ingenuamente que a corrupção está mais conotada com aquilo que não se declara do que propriamente com aquilo que se declara.

Sogros podem exigir de volta prendas de casamento

Fonte: http://aeiou.expresso.pt/sogros-podem-exigir-de-volta-prendas-de-casamento=f561885

Prepare-se para, quando se separar, devolver as prendas que lhe deram. É isso mesmo. Se o casamento fracassar, a base para os presentes deixa de existir. A ideia de que se tem dos presentes, oferecidos por vontade própria, incondicionalmente com coração, é aqui distorcida. Para muitos o casamento não passa de um contrato, de um sentimento de posse que vigora na essência desse mesmo contrato: o MEU marido, a MINHA mulher, os NOSSOS bens materiais. Nossos que deixam de ser nossos se nos separarmos - cada um com as suas trouxas. Já agora... Se porventura eu der dinheiro ou uma prenda a um amigo, também lhe devo exigir tudo de volta caso a amizade acabe? É a lógica da batata. O melhor é cada um de nós se ir preparando e ter uma contabilidade exacta das prendas dos sogros. Não vá depois haver surpresas...

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Dia B, por Bruno Antunes

>> domingo, 7 de fevereiro de 2010

Um País parado.

Fazendo uma análise em retrospectiva do nosso país verificamos que em 2005 com o surgimento de uma nova maioria parlamentar absoluta, se renovaram algumas esperanças no que diz respeito ao Governo deste país. Se por um lado, Guterres não tinha conseguido segurar uma crise gerada pela falta de sustentabilidade parlamentar (recorde-se que 115 deputados eram socialistas, 115 não), por outro, os Governos de Barroso e Santana cedo se revelaram pouco eficientes, sendo que Barroso foi para a Comissão, deixando o partido sem comando, e Santana, concordando-se ou não com o que fez enquanto primeiro-ministro, esteve lá pouco tempo.

Com a tal nova maioria, a maior parte das pessoas pensou estar perante um executivo que pudesse pôr termo ao défice excessivo, e “arrumar a casa”, fazendo frente aos grupos de pressão, e não cedendo a interesses corporativistas e partidários. Tinha, aliás, condições para o fazer, pelo menos em certa medida. Nos primeiros dois/três anos de mandato, o Governo de Sócrates cumpriu, tendo sido um dos melhores governos até ao momento, o que se afigura muito difícil em momentos de crise. Assim, até 2007/2008 o Governo socialista demonstrou vontade e para além disso sucesso no combate ao défice. Se em 2005 o défice rondava os 6%, em 2008 este estava na casa dos 2%, abaixo do limite de 3% imposto pelo PEC. Naturalmente que este combate ao défice não seria possível sem o “apertar do cinto” dos portugueses, já que foi necessário o aumento dos impostos. No entanto é de valorizar, a redução de despesas totais acompanhada de um aumento das receitas totais. Em outras matérias, para além da financeira, o Governo parecia impor-se. Apostou nas novas tecnologias em força, fomentou a utilização de energias renováveis, ambicionava a criação de um modelo educativo eficaz, apostou no melhoramento do sistema de saúde, reformou o sistema judicial, fez tudo isto não ignorando na totalidade algumas desigualdades sociais. Naturalmente que não concordei com todas as medidas tomadas, mas notava-se, apesar de tudo, a mão firme que faltou aos Governos anteriores.

A chegada da crise fazia antever tempos mais difíceis que exigiriam de todos nós algum sentido de responsabilidade. Apesar de tudo, esta postura determinada esfumou-se passados aqueles dois/três anos iniciais. A proximidade das eleições e a cedência a pressões que vinham de todos os lados provocou um “relaxamento” governamental, que mostrou ser um “mãos largas”, exigindo menos aos portugueses, e aligeirando a determinação exigida. Resultado, o défice voltou a crescer galopantemente (fenómeno agravado pela crise internacional) chegando à casa dos 8% quase 9%. Para além disto, não se seguiram as políticas levadas a cabo no início da legislatura em quase todas as áreas. Houve como que um retrocesso. Dá ideia que estes anos não serviram para nada em termos de governação deste país. Dá ideia que estamos como estávamos em 2005, ou possivelmente pior.

Mais grave ainda, não parece que este Governo eleito em 2009 com maioria relativa esteja a conseguir o que o anterior não conseguiu à excepção de um acordo no campo da educação. Este país cada vez mais parece adiado, sendo que lá fora dizem que caminhamos para o desastre. Não quero acreditar que estejamos a fazê-lo. No entanto, não há grandes sinais do contrário, ainda para mais num Governo enormemente fragilizado como este, com uma maioria relativa, que apesar da abstenção da Direita no Orçamento não contou com ela para a Lei das Finanças Regionais, com dificuldades na relação com o Presidente da República, com escândalos que estalam nos jornais, com o descrédito que começa cedo (se nos abstrairmos do facto de este ser um Governo de um partido que já havia governado de 2005 a 2009) sem direito a Estado de graça.
Porém, a gravidade não fica por aqui. Olhamos para a esquerda e vemos o alheamento da discussão orçamental, aparentemente interessando-lhes apenas o aumento do investimento público. Sendo que políticas como aquelas por eles (os da esquerda) seguidas poderiam colocar Portugal numa situação difícil. Na Direita vemos líderes que já estiveram no Governo, e no principal partido da oposição, um líder a prazo, pois parece que não vai recandidatar-se. Tanto uns como outros não parecem dar sinal de cooperação total ou pelo menos na maior parte das áreas com este Governo, sendo possível um novo cenário de eleições.

Espera-se um novo rumo, um conjunto de medidas trabalhadas no sentido de relançar Portugal, um país melhor.

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Caracterização da Sociedade Contemporânea, por Ana Merícia Turiel

>> terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Actualmente, vivemos na época do “ter” e somos catalogados exactamente pelo que temos e pelo que não temos. Basta pensar na roupa que envergamos. Olhamos para a direita e vemos um jovem com “rastas” no cabelo e tatuagem no pé. Automaticamente, somos capazes de fazer uma “análise” do sujeito: fuma droga, é desleixado e nem deve saber o resultado da soma de “dois mais dois”. Olhamos para a esquerda e reparamos nas pernas depiladas e hidratadas de um homem. De imediato o colocamos a categoria de metrossexual. Se é moda usar ténis All Star, a criança ou o jovem vão chegar a casa e pedir mais um par de ténis aos pais endividados, argumentado que é o que todos os amigos usam e que serão gozados se em vez disso comprarem uns ténis sem marca. Esse pai endividado vai à janela e repara no novo BMW que o vizinho comprou e a primeira coisa que pensa é de que maneira poderá contrair mais um crédito para conseguir comprar um igual, mas noutra cor, para marcar a diferença. A mãe endividada decide fazer mais uma lipoaspiração porque aumentou mais 3 kg desde o ano passado. Ou seja, vivemos numa sociedade que é caracteristicamente demarcada por ser uma sociedade de modas, aparências e de consumo desenfreado que engloba um conjunto de indivíduos, consumidores activos, que vivem em prol da aquisição desnecessária de bens não duráveis e fúteis.

Por outro lado, somos privilegiados por termos à nossa disponibilidade tecnologia cada vez mais avançada e isso sim, é uma das maiores inovações da sociedade contemporânea. Vivemos numa época única a nível da evolução científica e tecnológica. Logo após a primeira Revolução Industrial, que permitiu substituir o esforço físico dos seres humanos por máquinas e sistemas mecanizados, ocorreu a segunda Revolução Industrial, depois da Segunda Grande Guerra, que veio substituir, e reforçar, o esforço intelectual através de maquinas como os computadores e telecomunicações.

Actualmente, temos ao nosso dispor telemóveis de topo, computadores cada vez mais portáteis e até casas inteligentes cuja porta de entrada se abre com a impressão digital. Porém, é triste verificar que os estudantes lêem cada vez menos e por isso talvez não saibam ler nem escrever. Isto porque passam horas em frente ao ecrã do computador a actualizar o Hi5 e o Facebook, com imensas fotos e vídeos deles próprios e dos seus amigos, escolhidas ao pormenor, mostrando o quão felizes e venerados são por todos. Acho verdadeiramente fascinante vivermos num mundo globalizado, onde, entre outras coisas, temos a possibilidade de nos relacionarmos, ainda que virtualmente, com uma quantidade exorbitante de pessoas, desde a China até ao Brasil. Talvez seja por isso que nos esquecemos de passar, pelo menos, um serão com os nossos pais ou ir visitar um amigo que está hospitalizado. O individualismo exacerbado, cultuado como pressuposto para o sucesso laboral, das relações pessoais e na vida como um todo, tem levado, a um crescimento galopante da solidão e do medo.
A violência é outro tema tão abordado, nos nossos dias, e tão explorado pelos meios de comunicação social. Não acredito que a violência exista em maior dimensão, mas sim que tenha adquirido uma maior visibilidade, através da constante divulgação por parte do media, responsáveis por projectar para as luzes da ribalta, de forma gratuita, todas as formas possíveis de violência. Na minha opinião, é ridícula a mediatização que se faz com a morte de alguém que por acaso aparece na televisão regularmente e cujos ossos do oficio a obrigam a ser reconhecida perante milhares de pessoas. É também assustador saber que um grupo de miúdos, ainda adolescentes, espancou até à morte um travesti, apenas porque era diferente e porque lhes apeteceu. A insegurança face ao aumento da delinquência, à crise de emprego, ao número de assaltos, à facilidade e naturalidade com que se encosta uma arma ao peito de outro e de dispara para roubar 200 euros, a competitividade, o egoísmo, o desrespeito pelos idosos e crianças, a exploração sexual são tudo realidades da nossa sociedade actual.

Dizem que o nosso mundo é civilizado mas a verdade é que vivemos num mundo selvagem. O sistema capitalista beneficia poucos, não distribui riquezas e daí nunca ter existido tanta desigualdade social. Para cada rico, há milhares de pobres e estes são cada vez mais.

É de equilíbrio que a sociedade actual necessita.

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Dia B, por Bruno Antunes

>> domingo, 24 de janeiro de 2010

Prováveis candidatos identificados.

Quando estamos a perto de um ano das eleições já sabemos quais vão ser os prováveis candidatos a Belém. Cavaco Silva e Manuel Alegre.

Cavaco dificilmente não será candidato. É o actual Presidente e é o mais forte candidato de Direita. Apesar de alguns alegados tropeções no seu mandato aquando das declarações em torno das escutas de Belém, Cavaco Silva parece estar novamente apto para o combate político. A renovação do seu mandato depende dos votos das pessoas, e ao que parece o alegado deslize de Verão não pareceu abalar muitos dos que nele confiaram. A sucessão de vetos é entendida como normal, até porque o Governo anterior foi alvo das mais variadas críticas, apesar de o PS não ter perdido as eleições que se seguiram.

Alegre é o mais forte candidato de Esquerda. Apesar dos vários nomes lançados, parece ser Alegre o único que poderá tentar lutar pelo lugar de Belém. É um facto que o poeta é da ala esquerda do PS mas que remédio tem este partido se não apoiar este candidato? É que o poeta já confirmou a sua candidatura (se é que alguém tinha dúvidas) e qualquer outro candidato lançado pelo PS provavelmente perderia como há 4 anos atrás, na medida em que Alegre capitalizou 1 milhão de votos nessa altura. Para reforçar este cenário, o BE já mostrou apoiar esta candidatura, e o PCP deverá seguir-lhe as pisadas tornando Alegre um candidato de toda a esquerda. Mesmo que Alegre não se candidatasse, se o PS escolhesse um candidato da ala mais à direita do partido este provavelmente perderia ainda assim, na medida em que Cavaco presumivelmente já ocupa aquele espaço (ainda que a este respeito tenhamos dúvidas) e porque o BE e PCP teriam outros candidatos. Com a candidatura de Alegre as dúvidas ficam quase desfeitas, o PS terá mesmo que o apoiar. Digo “terá” porque este parece estar longe da linha de Sócrates, mas nestas alturas e aprendendo com alegados erros de outrora, lá apoiarão o poeta.

Quem vai vencer não sei, mas deverá ser um embate renhido possivelmente resolvido na primeira volta a menos que surja um outro candidato que mude o cenário previsível destas eleições.

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Diz que é uma espécie de noticia, por Ana Suwa de Oliveira

>> segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Desejos de Pandora. Avatar cria onda de espectadores deprimidos

Fonte: http://www.ionline.pt/conteudo/41753-desejos-pandora-avatar-cria-onda-espectadores-deprimidos---video

Os Navi deixaram muitas pessoas com uma Avatar's Blues - expressão felicíssima, tendo em conta a cor dos indígenas. O blue comporta tanto a cor dos personagens como a “deprê” que envolve incrivelmente uma grande parcela dos espectadores. Ninguém me tira da cabeça que a tecnologia 3D tem uma quota-parte de responsabilidade sobre isto. É o 3D e o James Cameron. Que direito tem o senhor de por, aos nossos olhos (e com uns óculos RayBan retro), um “mundo perfeito”, com vidas bucólicas em completa harmonia com a natureza e com os seus semelhantes, grandes pássaros de estimação, a roçar quase a realidade? Claro que, nos dias de hoje, o filme só podia ser uma armadilha e dar em bomba depressiva. Enfim. Vou-me só suicidar um bocadinho enquanto penso o quão bom seria viver na floresta com os Smurfs, ajudar o Scooby Doo a solucionar mistérios ou viver num mundo onde um leão é o rei e os animais podem falar.

Red Bull Air Race confirmada em Lisboa

Fonte: http://aeiou.expresso.pt/red-bull-air-race-turismo-de-lisboa-assinou-acordo-para-realizacao-da-prova-sobre-o-tejo=f553351

Vai por aí uma agitação acerca da Red Bull Air Race, prova essa que durante três anos consecutivos teve lugar no Porto e que agora se muda para a cidade alfacinha. Esta mania de que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem causa-me espécie. Eu contra mim falo. Sou lisboeta e orgulho-me muito da nossa capital, mas há que ver que esta centralização exagerada provoca um atrofiamento do restante país, que se torna num “deserto” a nível cultural. Ora, há um evento com aviõezinhos e que tem sido bem sucedido? Há receitas extra? Pumba, toca de desviá-las para aqui. Para quê dinamizar o turismo e a economia noutras zonas do país? Pois, não interessa nada. A verdade é que desde há muito, o Norte (maioritariamente) vem sendo negligenciado em prol de uma centralização política desmedida e completamente alheia às necessidades das demais regiões do país. Mas pronto. Diz que vamos ter gaivotas a voar sobre o Tejo maiores que as do costume... Antes fossem uns A330/380. É que o Tejo não é o Douro e assim como assim, davam mais nas vistas.

Lisboa "pode transformar-se na praia de Madrid"

Fonte: http://www.ionline.pt/conteudo/42004-lisboa-pode-transformar-se-na-praia-madrid

Muito bom Sr. Ministro! Nem eu soltava melhor laracha. Convenceu-me da necessidade deste mega-projecto. Já estou a ver os espanhóis em Madrid, a entrar num TGV, mortinhos para atravessar o deserto e chegar à Caparica. Ir e vir no mesmo dia, que a coisa é em alta velocidade.

Nasceu um novo direito do aluno: copiar


Fonte: http://www.ionline.pt/conteudo/42439-nasceu-um-novo-direito-do-aluno-copiar

Bem, ao q parece, aqui pela Ibéria passa-se de tudo. E as melhores notícias de Espanha vêm para cá de TGV. Não é que agora, em Sevilha, é permitido fazer exames com post-it’s? Sim, isso mesmo, cabular. Há países nórdicos, como a Finlândia, em que isto é inimaginável acontecer. O aluno copia? No dia a seguir está com a viagem marcada de regresso ao seu querido país de terceiro mundo. Pela vizinhança e por estas bandas (porque cabular em Portugal é um código de honra), copiar é humano e faz parte! Agora, mais ainda. Mas cabular nestes moldes já não tem piada. Quando não se podia, potenciava-se a criatividade nas técnicas cabulares. Era ver 1001 maneiras de compactar livros em folhinhas A20 e o florescer do “nervoso miudinho” estava sempre presente. Não se estudava mas havia ali trabalho, dedicação e muita perícia à mistura. Agora assim, nem isso vai haver. Meninos... E a melhor? Os vigilantes dos exames não tem qualquer crédito nas funções que supostamente deveriam ter, que seria precisamente vigiar e punir aqueles que copiassem. Pois. E agora, o que farão? Rigorosamente nada. Apenas, e somente, olhar para os alunos que estão a fazer o exame. Sentados. Em pé. A andar dum lado para o outro a ver se os minutos passam mais depressa. Ora de novo sentados. De novo em pé. A máxima utilidade que irão ter será certamente entregar folhas de teste cada vez que um aluno as pedir. Enfim, uma canseira. Mais valia nem lá estarem, os coitados.

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Diz que é uma espécie de Notícia, por Ana Suwa de Oliveira

>> domingo, 10 de janeiro de 2010

O que esconde o sorriso mais famoso da história? Colesterol

Fonte: http://www.ionline.pt/conteudo/40599-o-que-esconde-o-sorriso-mais-famoso-da-historia-colesterol

Pequenas manchas nas pálpebras da mulher pintada no quadro revelam isto mesmo, elevados níveis de colesterol. Boçalidade científica? Não, nada disso! Estamos perante a evolução da medicina amigos. Para quê fazer análises e exames, quando temos as nossas fotos e retratos mesmo à mão? No futuro vai ser assim... Enviaremos uma fotografia por e-mail ao Sr. Doutor e receberemos de volta um diagnóstico e um plano de tratamento. Sem espinhas.

Orgasmos de Clara Pinto Correia retratados em Cascais

Fonte: http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1465053

Depois do “copy paste” de artigos, aventuras no programa “Dança Comigo” e afins, esta senhora que diz trabalhar para o bom nome da ciência e da Universiade Lusófona (é Vice-Reitora, note-se) entrega-se em público no seu êxtase sexual. Eu pensava que a mulher já tinha batido no fundo... Afinal, havia ainda um degrau. A dita cuja quer visibilidade, assim fez para a obter. Coisas que devem ficar só na privacidade de um quarto? Lá agora. Toca de mostrar algo fingido, com muita má qualidade técnica e artística, já para não dizer que é inestético. Se o outro que analisou a Monalisa visse estas fotos, diria certamente que a mulher não está boa da marmita.

Lei do PS cheia de buracos: gays podem adoptar sozinhos mas não quando estão casados

Fonte: http://www.ionline.pt/conteudo/40892-falha-na-lei-casais-lesbicas-podem-recorrer--inseminacao

Agora que já se podem casar, o par homossexual quererá adoptar mas não há lei para isso. Casal conversa e chega à conclusão que o casamento é uma trampa. Que o que é importante na vida dum casal é ter meninos (salvo seja). Solução? Divórcio.

Tem poucos amigos no Facebook? Agora pode comprá-los

Fonte: http://www.ionline.pt/conteudo/41065-tem-poucos-amigos-no-facebook-agora-pode-compra-los

Vamos às compras. Do que é que preciso? De Amigos. O conceito de redes sociais, tão badalado nos dias que correm, baseia-se em grande parte na ideia de que todos podemos ser amigos, amigos dos nossos amigos, amigos dos amigos dos nossos amigos e por aí adiante… Até poder comprá-los. Não os conhecemos, nunca falámos com eles, mas que se dane. A minha lista de amizades não pode ser curta, há que ter amigos para se expôr ao mundo. Diz que se tirar algum papel (uns 140€, coisa pouca) da carteira posso ter 1000 amigos e assim ser popular. Nada mais simples... É comprar, ter 1000 amigos e ver-me a ser perseguida por um paparazzi qualquer. E se não gostar deles, sempre me posso “desamigar”. Afinal de contas essa palavra/conceito já existe e foi só o vocábulo do ano 2009, eleita pela New Oxford American Dictionary. Redes cada vez mais “sociais” estas...

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Reforço de Inverno

Pelas 22horas, sai o primeiro texto, da nova colaboradora do Laranja Choque, Ana Suwa de Oliveira. O Laranja Choque, como tinha prometido, reforçou-se na reabertura do mercado e foi ao mercado asiático contratar a Suwa :) . Este espaço será intitulado "Diz que é uma espécie de notícia" e consiste no comentário da Ana, de quatro ou cinco notícias que são, no mínimo...curiosas! Será um espaço, com uma pitada de humor, como poderão comprovar pelos comentários às referidas notícias. Os textos serão agregados à coluna Convidados. A não perder, a partir das 22!

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Dia B, por Bruno Antunes

>> domingo, 3 de janeiro de 2010

Um País Desenvolvido

Apesar das dificuldades económicas, dos problemas sociais, de algum parco progresso civilizacional que caracteriza Portugal relativamente a alguns dos demais países europeus, creio que estamos num país desenvolvido.

No entanto, esta minha convicção sofre por diversas vezes alguns abalos. Abalos como aquele que está bem presente nos concelhos de Cascais e de Oeiras, logo estes que representam como que expoentes máximos da qualidade de vida neste país.
O abalo de que falo é a iluminação pública ou a falta dela. Por estes dias, observo a iluminação de rua tanto da estrada Nacional 6 (vulgo Marginal de Cascais) como de ruas interiores nos dois concelhos referidos e fico estupefacto com a quantidade de candeeiros apagados durante a noite. Se numa Estrada Nacional o perigo é grande devido à velocidade a que os automóveis circulam, numa estrada interior o perigo pode ganhar outras dimensões pelo facto de poderem circular peões. Imagine-se numa noite de ventos e chuvadas fortes o perigo que não é circular na rua.

Perante este cenário pergunto-me quem é o responsável pela iluminação pública. Autarquias ou EDP? Devo dizer que já ouvi várias versões, então fui-me informar para melhor esclarecimento. Ora, procurei legislação mas não encontrei (se alguém encontrar avise na caixa de comentários). O que encontrei foi uma exposição em Power Point de um Workshop da EDP que refere “A gestão da iluminação pública é da responsabilidade das Câmaras Municipais no que respeita a níveis e horários de iluminação e ao tipo e número de aparelhos de iluminação e lâmpadas em serviço. Compete à EDP Distribuição manter a manutenção das instalações de iluminação pública (Contrato Concessão) ”.

Ora, daqui parece decorrer de modo claro que é a EDP a responsável pela manutenção dos candeeiros públicos. Coloca-se o problema de saber como enfrentar este problema. Conferindo algum cunho jurídico a este problema importa afirmar que o direito a iluminação pública não parece constituir um direito fundamental na medida em que não se pode dizer que quem quer que seja possui um único direito à iluminação pública como à protecção do ambiente ou do património. Este problema parece enquadrar-se antes na categoria de interesse difuso. Os interesses difusos são, conforme defende o Professor Jorge Miranda, “necessidades comuns a conjuntos mais ou menos largos e indeterminados de indivíduos e que somente podem ser satisfeitas numa perspectiva comunitária”.

Posto isto, não é possível ao cidadão a exigência daquele direito como se de um direito fundamental se tratasse cuja omissão ou violação constituiria uma inconstitucionalidade. Tratando-se de um interesse difuso o meio ao dispor dos cidadãos é o que está previsto no Artigo 52º nº3 da Constituição que permite aos cidadãos o direito de acção popular para defesa da qualidade de vida, porque afinal é disso que se trata.

Existe, por isso, um meio que pode ser utilizado, mas claro “com conta, peso e medida”. Ademais, entendo que as Autarquias, ou melhor, as Câmaras devem ter um papel preponderante neste problema porque é para estas que a EDP trabalha quando mantém a iluminação pública.

Espera-se acima de tudo a protecção do interesse do cidadão, porque quero continuar a acreditar que este é um país desenvolvido.

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Na opinião de David da Silva*

>> quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O que está em Jogo em Copenhaga

No passado dia 7 de Dezembro centenas de líderes mundiais reuniram-se em Copenhaga para dar inicio á cimeira do Clima, que decorrerá até dia 18. As expectativas são enormes na 15º reunião das partes, onde o futuro das políticas de combate às alterações climáticas joga-se em terreno muito instável. São múltiplas as variáveis em cima da mesa.

Primeiro, a própria ciência das Alterações climáticas, está, supostamente, em dúvida. Tudo isto devido ao agora muito mediático Climategate. Este caso, que decorreu ainda há poucos dias (que conveniente ser mesmo antes de Copenhaga não é verdade?) consiste nalguns emails de um dos principais investigadores em Alterações Climáticas que, ilegalmente, foram divulgados e que continham, supostamente, informação de que o autor estaria a falsificar dados de modo a disfarçar uma descida das temperaturas médias globais…. Os cépticos saltaram de alegria quando souberam disto.

O grave problema com esta teoria da conspiração é, como já foi dito pela ONU e pela restante comunidade científica, que a realidade do Aquecimento Global e das consequentes Alterações Climáticas, não se baseiam numa única medição, nem num só investigador, nem num só gráfico ou numa só teoria. Muito pelo contrário. O aquecimento global já foi provado por milhares de medições, por investigações levadas a cabo por centenas de milhares de investigadores em centros de investigação espalhados pelo mundo inteiro! Sem esquecer as correlações óbvias com o aumento de CO2, com fenómenos climáticos irregulares e um sistemático e muito brusco aumento da temperatura média global. Só em Portugal, a temperatura média já aumentou em 1,2 graus desde 1930, o dobro do que seria normal! Isto acrescido ao cada vez maior número de vagas de calor, do aumento da amplitude térmica e do aumento das zonas desertificadas a nível nacional.

É por isto que Copenhaga é tão importante. Não só porque alterará, ou pelo menos tem essa possibilidade, todas as nossas políticas económicas, energéticas e Ambientais, mas porque tem a possibilidade de evitar que o mundo caminhe para um futuro de catástrofe em vez de um de progresso.

Mas afinal, o que é que é preciso para que Copenhaga corra bem? Antes de mais tomadas de posições e decisões fortes. Em particular por parte de quatro pessoas. Obama, que já anunciou que quer estabelecer a meta de redução de 17% de emissões de CO2 em relação aos níveis de 2005, pelo Primeiro-Ministro Chinês, visto que a China é o principal poluidor á escala mundial, pelo primeiro-ministro Indiano, um dos países com maior aumento populacional que em breve se tornará um dos maiores poluidores, e do Presidente Lula da Silva, pois o Brasil como crescente super-potência será um dos principais players a nível de uma revolução energética mundial. É preciso ainda que a EU lidere, como tem feito, a luta contra as alterações climáticas, tentando com que o seu pacote climático seja aplicado a uma escala mundial.

Outras das polémicas será o papel dos países em Desenvolvimento, cujo tratamento era diferenciado no último protocolo (no de Quioto as politicas para os países industrializados e para os em desenvolvimento apareciam em anexos diferentes). É de notar o caso de África, o continente que mais sofrerá (como já começa a sofrer, caso da recente epidemia de Dengue em Cabo Verde) com as alterações climáticas e o que menos contribui para o problema, que já exigiu fundos e linhas de crédito para estratégias de desenvolvimento sustentável e investimento por parte dos países desenvolvidos em energias renováveis em solo africano.

Mas a principal questão que se jogará em Copenhaga será indubitavelmente a questão económica. Os líderes mundiais têm medo de que as politicas de combate às alterações climáticas seja uma barreira ao desenvolvimento económico. Mas desta vez, ao contrário de Quioto, existe algo para opor esta teoria, o relatório Stern. Neste documento sobre a economia das alterações climáticas o economista Nicholas Stern prova que o custo da inacção é em larga escala superior ao da acção, argumentando que nos custaria cerca de 2% do PIB mundial para aplicar as politicas necessárias para parar o Aquecimento Global, mas que nos custaria cerca de 20% do PIB mundial as politicas de remediação dos danos e efeitos das Alterações climáticas, em larga medida associadas a catástrofes naturais, como furacões, a um maior número de secas, a um maior número de casos de doenças tropicais e á consequente crise de refugiados climáticos (estima-se que serão cerca de 150 milhões). A opor-se a esta teoria estão os países exportadores de petróleo, como seria de esperar.

Muito mais se jogará em Copenhaga mas estes serão os factores principais de discussão. Mas mais que tudo, é o destino do Mundo que se joga nesta cimeira, é o seu futuro que se decide. Os interesses em que Copenhaga corra mal são muitos, a quantidade de dinheiro que será contabilizada é astronómica mas as decisões serão, em si, igualmente históricas. Ao fim e ao cabo, desta cimeira podem sair um de dois cenários: ou sairá uma decisão fachada, que em nada ajudará a combater as alterações climáticas, ou então pela primeira vez na História todos os principais países do mundo colocarão os interesses do futuro á frente dos interesses do presente, pela primeira vez um pacto a nível global, que afecte todos os cidadãos de todos os países, será assinado. Esperemos, para o bem da Terra que seja o segundo. Esperemos que, para o bem de nós todos, que seja o último caso. A ver vamos…….

*Vice-Presidente da Comissão Política da JSD/Oeiras, uma das vozes mais reputadas da JSD no que a política ambiental diz respeito. Acrescento: Militante empenhado em Ganhar uma Geração!

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Na opinião de Essi Silva

>> terça-feira, 3 de novembro de 2009

Eles falam, falam, falam…mas não fazem nada!

O conceito de cidadania sempre esteve fortemente relacionado com a noção de direitos, especialmente os direitos políticos, que permitem ao indivíduo intervir na direcção do Estado, através da participação de modo directo ou indirecto na formação do governo e na sua administração, seja ao votar, seja ao concorrer a cargo público.
É frequente ouvir-se no café alguém a dizer que não vai votar porque os políticos são todos iguais e que nada vai mudar. Mas então nesse caso para que serve o direito ao voto?

Democracia? Onde?

Mulheres por todo o mundo lutaram pelo direito ao voto, pelo direito à participação cívica e política. Em Portugal, só há 35 anos é que se assiste ao verdadeiro sufrágio universal e democrático. Então porque é que no nosso país a taxa de abstenção é tão elevada?

Associada várias vezes à parca qualidade da nossa classe política, em 30 e tal anos, várias gerações de políticos têm dado às pessoas razões para estarem descontentes. O problema é que enquanto alguns fazem o esforço, que por várias vezes podem implicar problemas de saúde e afins (como foi o caso do meu avô nestas últimas eleições), para irem às urnas expressar o que julgam melhor para o seu país; outros limitam-se às sucessivas reclamações e contágio de pessimismo (sim, considero que o pessimismo é uma epidemia bastante grave no nosso país e que anda a ser curada não com Governos decentes mas com Prozac’s à base de créditos para se poder frequentar o Ensino Superior ou impostos sobre café e refrigerantes).

A democracia depende do demos, do povo. Como podemos nós exercer um poder democrático, reger a sociedade, se o povo, o demos não participa nessa gestão com o poder que lhe dão? Onde está a democracia sem povo, sem cidadão?

Praia ou votar? Estão 40º e umas ondas fantásticas, pensa bem!

Nalguns países, o Direito ao voto é acima de tudo uma obrigação. A prática do voto obrigatório remonta à Grécia Antiga, quando Sólon levou à aprovação uma lei de modo a forçar os cidadãos a escolher um dos partidos, caso não quisessem perder seus direitos de cidadãos.
No Brasil o voto é obrigatório para cidadãos entre os 18 e os 70 anos. Isso leva-me a questionar se um povo que lutou tanto pela democracia tem de ser obrigado a votar de modo a não acabarmos numa ditadura ou numa anarquia.
A meu ver o voto é acima de tudo um dever, um dever de cidadania. Mas antes de partirmos para medidas mais drásticas devemos apostar na educação cívica, que no nosso país é insuficiente e responsável por várias lacunas noutros campos importantes do funcionamento em sociedade.

Ver para crer

Enquanto não houver uma verdadeira identificação com quem nos representa não haverá lugar para a redução da abstenção. A classe política precisa de se renovar, de chegar à humildade e aproximar-se do eleitor e da sua situação. Não são as promessas que nos levam a lado nenhum, é o trabalho e o contacto com as situações reais.
É por isto que defendo os círculos uninominais. As vantagens são múltiplas: o eleitor ao escolher quem o representa, não só conhece o seu comportamento como sabe que representará os seus interesses. Isto evita que sejam os partidos a decidir quem são os amigos de A e B que vão ganhar o chamado “tacho” e a dar ao eleitor maior poder para decidir sobre o seu futuro.
São este tipo de medidas que poderão trazer mais transparência e fé a quem decide votar e depositar a sua vontade num representante.

Talvez a democracia comece verdadeiramente aqui, nas nossas casas, enquanto ensinamos aos nossos amigos, pais, avós, filhos e afins, a importância de pertencer à sociedade e da cidadania (que esta implica direitos e obrigações). Talvez acabe na Assembleia da República, com o nosso vizinho, aquele que fez algo pelos seus na Câmara Municipal, na Liga Portuguesa contra o Cancro ou simplesmente no exercício do seu direito de cidadania.

Nota do Autor do Blogue: Cumpre fazer um agradecimento muito especial à Essi, que assina aqui uma magnifico texto, na senda de grandes reflexões que tem desenvolvido noutros fóruns. É um dos quadros com maior futuro na JSD. Guardem bem este nome. Daqui a uns meses, não muitos, voltaremos a falar, e veremos onde estará a Essi. Esta capacidade de expressão e enorme lucidez na forma como aborda as várias temáticas são um excelente pronúncio de um futuro radioso.

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Dia B, por Bruno Antunes

>> sábado, 31 de outubro de 2009

O Novo Governo.

Está constituído um novo Governo, o XVIII desta feita, com o mesmo Primeiro-ministro que o anterior, mas algumas caras novas, quer em Ministérios quer em Secretarias de Estado. Este novo Governo foi alvo de várias críticas, como não podia deixar de ser. Uns acharam que era um Governo que cheirava a “tampas”, isto é um Governo feito de segundas escolhas. Outros afirmaram que este não parecia um novo Governo, mas sim uma aposta na continuidade do anterior. Ainda outros criticaram o novo executivo por este ter demasiados tecnocratas e poucos políticos. Ora bem, a primeira crítica poderá fazer sentido. De facto não há grandes nomes (falo de nomes, não de competência). Quase todos os nomes são desconhecidos do grande público. Percebe-se porquê. Os possíveis “candidatos” a ministro com nome na praça dificilmente alinhariam num governo com maioria relativa, com a necessidade de fazer acordos no Parlamento, possivelmente com mais que uma força política, e debilitado pelo efeito causado pelas críticas apontadas ao anterior executivo. Estes tubarões (como alguém lhes chamou) só alinhariam num Governo forte, restando assim ao Primeiro-ministro convidar personalidades menos conhecidas que poderão encarar o cargo ministerial como um ponto alto na carreira, como um trampolim para o futuro (sem querer atribuir a esta situação qualquer carga negativa, entenda-se).

A segunda crítica pode também ser encarada como consequente mas não na sua totalidade. Este Governo está fortemente marcado pelo executivo anterior, muitos ministros mantiveram-se assim como secretários de Estado, alguns apenas mudaram de pasta. No entanto, houve alguma remodelação. Veja-se que em pastas sensíveis, em que a contestação era muita os titulares do cargo foram alterados. Casos da Educação, Obras Públicas, Agricultura. Posto isto, houve alguma tentativa por parte de Sócrates no sentido de conseguir aproximar o Governo das inquietações da sociedade e de afastar vagas de contestação logo no início do mandato. Já a segunda crítica mais comum merece uma reflexão aprofundada, mas que terá aqui apenas alguns comentários. De facto este Governo tem poucos políticos e mais tecnocratas. Isto é, foram-se buscar pessoas à sociedade civil e menos ao aparelho partidário. Segundo alguns críticos, numa altura destas, num Governo marcado pela falta de maioria absoluta com tudo o que isso poderá acarretar, seriam necessários políticos e não professores ou pessoas com actividade no sector (os ditos tecnocratas). Dizem alguns, o desempenho de um político é medido em função da sua capacidade para gerir crises, e é de gestores de crises que o país precisa, de pessoas que saibam lidar com a oposição. Percebo a crítica mas não sei se procederá. Por um lado, um ministro marcadamente afecto a um partido será menos bem recebido pelos outros partidos que um que o não seja. Por outro lado, um dos problemas hoje em dia vigentes na política é o dos chamados “políticos profissionais”.

Se há muitos políticos que dedicam grande parte da sua vida à política e pouca atenção prestaram a uma actividade profissional extra-política, desempenhando, no entanto, com competência as suas funções, outros há que na mesma situação apenas se agarram ao poder para dali tirar dividendos. Podemos chamar a ambos os casos, casos de políticos profissionais. No entanto, o primeiro não constituirá problema, já o segundo é um caso grave e que receio abundar, pelo menos aparentemente. Posto isto, apostar em políticos profissionais pode não ser a melhor medida, afinal os tecnocratas por não estarem agarrados ao chamado “tacho” e por terem actividade no sector podem desempenhar melhor a sua actividade governativa e proceder a reformas estruturantes. Acima de tudo o que se quer é que este Governo cumpra com determinação as suas políticas e que a oposição forneça o seu apoio sempre que for necessário desde que não contraproducente. Pede-se trabalho.

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Dia B, por Bruno Antunes

>> segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O Novo Governo


Se acha, traído pelo título deste texto, que vou aqui lançar os nomes das pessoas que irão integrar o novo Governo desengane-se. O que venho aqui tratar é a nova situação governativa altamente influenciada pelo panorama parlamentar. Como é sabido de todos, ou quase todos, no Parlamento existe uma maioria relativa de deputados do PS. Posto isto, é difícil a um Governo neste cenário impor as posições decorrentes do seu programa governativo. Um Executivo nestas condições necessita de colaboração dos partidos representados no Parlamento. O Primeiro-Ministro, que ainda não tomou posse para o segundo mandato, procura já entendimentos com os partidos, aliás, com todos os partidos. Esta nova posição de diálogo com todos os partidos do Parlamento (sem excepção) que José Sócrates quer imprimir ao panorama político nacional pode ter duas leituras. Numa primeira perspectiva, poder-se-á entender que o Primeiro-Ministro quer a todo o custo governar com estabilidade ficando assim assegurada a governabilidade necessária para que o país “ande para a frente”. Analisando por um segundo prisma, poder-se-á achar (aliás essa opinião tem sido veiculada por bastantes opinion-makers) que o Chefe de Governo chamando os líderes de todos os partidos com assento parlamentar e sabendo de antemão que provavelmente estes não iriam aceitar qualquer acordo, quer colocar na oposição a responsabilidade das decisões tomadas ou da falta delas. Alinhando sob este prisma (que não é totalmente oposto ao anterior), ainda que com cautela, não creio (defendendo a posição que creio que o Professor Marcelo Rebelo de Sousa propugnou no programa de domingo) ser uma questão de dramatização e de vitimização por parte de Sócrates, é antes uma situação em que o Chefe de Governo quis colocar na oposição todo o ónus de algo que normalmente seria assacado ao Governo. Cabe à oposição uma resposta cabal a esta situação. Quer-se uma oposição cooperante, mas a esta não podem ser assacadas todas as responsabilidades, afinal é o PS que é o partido do Governo. No entanto, essa resposta cabe aos líderes dos partidos, que por enquanto não deram sinais de contrariar tal ideia, pelo menos plenamente. Se Sócrates levar a melhor, pergunto-me se esta estratégia não conduzirá a uma dissolução do Parlamento (pela falta de decisão) e que nas eleições subsequentes ganhe com maioria absoluta, fazendo uma espécie de reedição do que sucedeu com Cavaco Silva. O tempo o dirá, tendo o futuro líder do PSD uma palavra determinante neste processo, enquanto líder do principal partido da oposição. No entanto, deixo ainda uma referência para todo este jogo político. Não se querem politiquices, quer-se política. Quer-se um país desenvolvido e não jogadas de estratégia que resultam na perpetuação do poder de X ou a perda do mesmo por Y. Para jogadas tem-se o futebol e outros desportos.

Fica o reparo.

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